Há 20 anos atrás ainda não se tinha certeza se haveria planetas extrasolares – planetas que orbitam outras estrelas, que não o Sol.
Tudo mudou nos últimos 10 anos.
Em cerca de 10 anos descobriram-se mais de 200 planetas extrasolares.
A maioria dos planetas extrasolares descobertos até esta altura são gigantes, maciços, e orbitam muito perto das suas estrelas-mãe (são chamados de “Júpiteres quentes”).

Gliese 581c

Gliese 581 é uma estrela anã vermelha que se encontra a cerca de 20 anos-luz da Terra.
O sistema planetário tem pelo menos 4 planetas em órbita de Gliese 581.

Gliese 581c:
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GL 581c tem 5 vezes a massa da Terra, e é um pouco maior, sendo classificado uma Super-Terra.
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Este exoplaneta é, assim, semelhante à Terra.
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Chama-se Gliese 581c: “Gliese 581″ é devido à estrela; “C” é porque já foi descoberto outro planeta à volta da mesma estrela – Gliese 581b.
Orbita a sua estrela em apenas 13 dias terrestres, já que se encontra bastante próximo da estrela.
Devido a se encontrar perto da estrela, devia ser bastante quente. No entanto, como a estrela é uma anã vermelha (mais pequena, menos radiante, e mais fria que o nosso Sol), a distância a que o planeta está permite-lhe ter uma temperatura “perfeita”. O planeta parece estar na chamada “zona habitável”.
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Passando a especular cientificamente: através de modelos de computador, conseguimos prever que o planeta deverá ter uma temperatura “ideal” entre 0ºC e 40ºC. Deverá também ter uma superfície sólida e/ou então um gigantesco oceano de água no estado líquido.
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Ora, existindo um planeta à distância “ideal”, com a temperatura “ideal”, e daí que possa ter água no estado líquido, passa logo a ser um sério candidato a ter VIDA!
Já vieram cientistas do SETI dizer que apontaram “baterias” para esta estrela no passado e não detectaram nada, mas que vão tornar a virar-se para esta parte do céu, na esperança que possam existir seres inteligentes a mandar mensagens de lá para a Terra.
Notem que isto já é pura especulação.
Marte e Vénus podem ser considerados “de longe” planetas perfeitos para a existência de água líquida e possível vida, e como se sabe, ainda não se descobriu nada neles.
Note-se também que o salto entre poder haver vida e poder haver vida inteligente capaz de comunicar connosco é ENORME. A evolução da vida na Terra mostra-nos que a Terra tem vida já há quase 4 mil milhões de anos, e no entanto só conseguimos comunicar para outros planetas nos últimos (cerca de) 70 anos.
Por último, atente-se no facto que 20 anos-luz quer dizer que imaginando que existe água líquida, imaginando que existe vida, e imaginando que existe vida inteligente capaz de comunicação inter-estelar (haja imaginação para tudo), qualquer mensagem demora 20 anos do emissor até chegar ao receptor!
Resumindo: esta é uma descoberta bastante importante – quanto mais não seja porque é um passo de gigante na descoberta de planetas extrasolares, e permite-nos pensar que podem realmente existir montanhas de planetas deste género! Planetas como a Terra! Mas não se deixem levar pelo jornalismo sensacionalista.
Gliese 581c vida
O anúncio em Abril de 2007 da descoberta do GL 581c teve impacto na comunicação social. A ideia de que podia ser um planeta com vida foi talvez a que passou mais facilmente. Não é a primeira vez que ouvimos este tipo de discurso. Sempre que se descobre algum planeta extra-solar parecido com a Terra a possibilidade de vida extraterrestre é logo avançada. Há até quem diga de que no futuro podemos visitar estes planetas com novos tipos de propulsão. Ora este tipo de declarações só provoca confusão. No caso do GL 581c, a confusão reinou mais uma vez, quando na verdade pouco sabemos sobre o GL 581c.
É certo que é um planeta um pouco maior do que a Terra com uma órbita curta de 13 dias terrestres. Está apenas a 10.8 milhões de quilómetros da sua estrela, o que significa que a esta distância o planeta está na chamada zona habitável, ou seja, na região onde pode existir água no estado líquido. Isto porque GL 581 é uma anã vermelha, ou seja, uma estrela mais fria e menos luminosa do que o nosso Sol. Daí que a chamada zona habitável está muito mais próxima da estrela do que no caso do nosso Sol.
Pensa-se que o novo planeta seja um planeta telúrico, ou seja, feito de rocha como a Terra. A equipa que o descobriu sustenta que o GL 581c deve ter uma temperatura entre -3 ºC e + 40º C, o que o torna muito parecido com a Terra. A sua massa e gravidade são suficientes para segurar uma atmosfera em redor do astro. Ora, a existência de atmosfera é também um factor fundamental para a existência de água no estado líquido, pois além da temperatura ideal, a água líquida precisa também de pressão atmosférica para manter o seu estado. Por outro lado, a Gliese 581 é uma estrela estável e emite praticamente a mesma quantidade de luz e calor há 5 mil milhões de anos, o que também é um factor positivo para a existência de vida.
No entanto, apesar da energia confiável e estável da estrela e das características do planeta descoberto, ninguém pode garantir que este tenha vida. A única coisa que se pode dizer é que está realmente numa região de temperaturas amenas e onde é possível a existência de água no estado líquido. De resto pouco mais se pode dizer. Mesmo sobre a temperatura, tudo depende da composição e da espessura da atmosfera, que é completamente desconhecida, o que pode alterar as suposições sobre as condições climatéricas existentes no planeta. Também não se sabe se o planeta tem sempre o mesmo lado voltado para a sua estrela, pois caso a sua rotação seja igual ao período de translação, o GL 581c terá sempre o mesmo lado voltado para a anã vermelha. Desta forma, um dos lados do planeta ficaria sempre na mais completa escuridão e o outro, sempre iluminado.
Sendo assim, são necessárias novas investigações para que se consiga perceber com rigor se o GL 581c é ou não um irmão da Terra? E é isso que vai ser feito nos próximos tempos. E não é certamente com naves espaciais, mas sim com os métodos do costume, que é observarmos e tentarmos perceber que planeta foi detectado.

Após ler e ouvir tantas coisas erradas nos media, o Carlos Oliveira decidiu escrever um artigo sobre esta descoberta onde discute o poder das crenças e do marketing, e da sua importância na ciência actual.
Discute também a diferença entre ciência e crença ou desejo pessoal; assim como a natureza da ciência e a interpretação popular das descobertas científicas.
Fala na ciência interdisciplinar da Astrobiologia e das probabilidades de encontrarmos vida extraterrestre.
Coloca os “pontos nos iiis” sobre aquilo que são factos nesta descoberta, e aquilo que não passa de imaginação infundada.
E compara a Terra com este novo planeta, mostrando as semelhanças e as diferenças entre os dois planetas.
Leiam o artigo, no Ciência Hoje, clicando aqui

Leiam o artigo da Emile Martin e do Philippe Henarejos sobre o GL 581c na Ciel et Espace deste mês.
Um bom trabalho sobre o que sabemos e o que não sabemos acerca deste novo planeta. E como já tinha dito, sabemos pouca coisa.
O que conhecemos ao certo sobre o novo planeta é a sua massa (com uma pequena incerteza) e o seu período de translacção (com grande precisão). Outros dados são ainda especulativos.
Mesmo a questão da zona habitável é polémica, pois os limites desta zona são difícies de definir, pois estão sempre relacionados com o que se passa na superfície dos planetas. O limite interior ou chamado “quente” é obviamente aquele onde a água se evapora, mas isso depende obviamente do planeta e da sua atmosfera. O mesmo em relação ao limite exterior ou “frio”, que corresponde a uma zona onde a água congela, mas de novo, depende do tipo de planeta e atmosfera que encontramos nessa zona.
Sendo assim, o GL 581c tanto pode estar dentro como fora do limite interior da zona habitável. Tudo isso é bem explicado no artigo, por isso, vale a pena ler.

Leiam este artigo sobre a habitabilidade no sistema GL 581.
Na opinião dos autores o GL 581c está claramente fora da zona de habitabilidade da GL 581, pois está demasiado próximo da estrela.
Novas simulações sobre o possível clima e efeito-estufa existentes no planeta Gliese 581c, mostram que provavelmente esse planeta será mais parecido com Vénus do que com a Terra. Logo, não será habitável.
Parece que do ponto de vista da astrobiologia, o GL 581d será mais interessante, pois está próximo do limite exterior da zona habitável. No entanto, sobre o GL 581c, lá se vai o argumento da habitabilidade.

Gliese 581d:
O Gliese 581d tem 8 massas da Terra.
O Gliese 581d é um exoplaneta melhor, em termos de habitabilidade.
As observações levadas a cabo por Mayor e os seus colegas revelaram que este exoplaneta orbita a estrela em 66.8 dias, situando-se portanto na zona habitável do sistema.
Em Abril de 2009, novas observações parecem indicar que o planeta está na zona habitável, onde poderá existir água no estado liquido e quiçá vida.
Gliese 581d
De qualquer maneira, muita mais investigação terá de ser feita de maneira a se poder tirar quaisquer potenciais conclusões.
Para já, tudo isto é com base em simulações e informações provisórias.

Um outro estudo indica que Gliese 581d, apesar de poder ser habitável, não tem as condições necessárias para o desenvolvimento de vida complexa.
É que a estrela é pequena e de pouca massa, o que faz com que a zona habitável seja muito próxima da estrela, levando a algumas condições provavelmente extremas para o desenvolvimento de vida complexa. Por exemplo, os planetas levam com elevada radiação da estrela, e mantém o mesmo lado virado para a estrela (do outro lado, está sempre escuro) – da mesma forma que a Lua mantém o mesmo lado virado para nós.

Gliese 581e:
O ESO, na pessoa do astrofísico Michel Mayor, anunciou a 21 de Abril de 2009, a descoberta do quarto planeta em torno de Gliese 581, uma anã vermelha na constelação Balança. O que torna a descoberta tão espectacular é o fato do planeta ter uma massa (mínima) de 1.9 vezes a da Terra e orbitar a estrela com um período de 3.15 dias (encontra-se a 0.03 AU da estrela-mãe).
É o planeta com menos massa descoberto até hoje!
Está fora da zona habitável. Apesar de provavelmente ter uma superfície roochosa, não terá atmosfera, terá uma temperatura bastante alta, receberá uma forte radiação da estrela, e sofrerá extremas forças de maré. Tudo isto, devido à sua proximidade à estrela.
Leiam em português, aqui e aqui (onde é referido que o Nuno Santos, do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto (CAUP), faz parte da equipa que descobriu este exoplaneta).
A notícia em português mais completa foi dada precisamente pelo CAUP, e podem lê-la, clicando aqui.

Deixamos agora vários vídeos sobre esta descoberta.

Entrevista em inglês ao descobridor Michel Mayor:

Entrevista diferente e em francês ao Michel Mayor:

Entrevista da BBC ao Michel Mayor sobre o refinamento dos dados dos outros planetas já conhecidos e o que eles representam:

excelente podcast do ESO:

Alguns textos sobre a descoberta:

zoom à estrela Gliese 581:

zoom ao sistema planetário existente na estrela Gliese 581:

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Os parâmetros dos planetas deste sistema foram refinados.
Gliese 581 tem um sistema planetário formado por planetas de massas (MTerra=1), e por ordem de distância crescente à estrela: 1.9 (planeta e), 16 (planeta b), 5 (planeta c) e 7 (planeta d). Vejam o comunicado do ESO.

É pena a missão TPF (Terrestrial Planet Finder) ter sido cancelada. É que um dos alvos da missão era precisamente esses planetas à volta da estrela Gliese 581.
No entanto, as esperanças renovam-se com a missão europeia Darwin. É que estes planetas também são alvos desta missão!