Arquivo de July 9th, 2007

Astronomia Amadora

Sábado na Atalaia

A noite começou sob um céu parcialmente velado por nuvens altas.
Mas, confirmando as previsões, as nuvens foram desaparecendo e o céu ficou totalmente limpo e surpreendentemente transparente.
Munido de uma carta de magnitudes da área da Ursa Menor, estimei a magnitude em 5,7.
Ainda com ar de dia já o par Venus-Saturno se aproximava do horizonte. Foram os primeiros alvos.
Saturno, sob a turbulência atmosférica, nem conseguiu ser convenientemente focado.
Venus, apresentava um crescente acentuado, semelhante a uma Lua jovem de uns 3 dias.
Júpiter mostrava três das suas luas.
Entretanto, no recinto, encontravam-se o Filipe Alves e a Rute, o João Gregório, o Henrique Ferreira, o Luís Campos que já nos brindou com uma bela imagem do segmento oeste da Nebulosa do Véu, o Carlos Saraiva, o Nuno Gil, o Silvério (?) Serra, o Filipe Serra, o José Bulário, o Ulisses Martins e o André e, sem equipamento, o Cunha Lopes.
A seguir aos planetas e enquanto o céu estava com nuvens, o alvo foram alguns objectos de fácil detecção, como M11, M22, M57.
Com o desaparecimento das nuvens foi a vez das nebulosas. Os dois segmentos da Nebulosa do Véu, com filtro OIII, ofereceram imagens de belo detalhe e foi um prazer percorrê-los passo a passo. Menos sorte tivemos com a nebulosa Crescente, muito difusa e com a nebulosa América do Norte que simplesmente não vimos.
M57 foi amplificada até 560x, mas sem aparecimento da estrela central. M27 mostrou-se muito brilhante, M16 bastante discreta, M 17 brilhante e bem definida, M20 ténue, M8 enorme na companhia do enxame aberto.
Uma ronda por enxames globulares preencheu também parte da noite.
A nebulosa Olho do Gato, M15, um enorme enxame aberto em Cassiopeia (NGC 7789), M4, M6 e bastantes outros, que isto não pretende ser uma listagem, completaram a noite.
Ainda houve tempo para dar uma espreitadela a Neptuno e a Urano, para terminar com o cometa C/2006/VZ13 LINEAR, cujas coordenadas foram fornecidas pelo J. Gregório. Este cometa descoberto em Novembro passado terá o periélio no inicio
de Agosto, e irá aumentar de magnitude, esperando-se que atinja 9,7 na próxima semana.

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Lançamentos

Zhongxing-6B e DirecTV-10 em órbita

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Tal como se tem vindo a notar nos últimos anos, o número de lançamentos orbitais tem uma certa tendência para diminuir nos meses de Verão e o mês de Julho não foge à regra.

Após o lançamento do satélite alemão SAR-Lupe 2 no dia 1 de Julho por um foguetão russo Kosmos-3M, aguardava-se mais um lançamento chinês no dia 5 de Julho. Este veio a concretizar-se às 1208:01UTC com um foguetão CZ-3B Chang Zheng-3B a colocar em órbita o satélite Zhongxing-6B. O Zhongxing-6B foi fabricado pela empresa Alcatel Alenia Space (agora Thales Alenia Space) e está equipado com 38 repetidores em banda-C que irão cobrir o território chinês e outras nações asiáticas num período de vida de 15 anos na órbita geossíncrona.

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Ovniologia

Fenómenos estranhos

Não há dúvida que desde as primeiras observações de Ovnis nos EUA por Kenneth Arnold, em Junho de 1947, até à sua chegada a Portugal, em Setembro de 1954, passaram 7 anos. Não sei o que andaram a fazer durante esses 7 anos, mas é um facto que demoraram a chegar a Portugal. Talvez por ser um país pequeno, quem sabe? Depois tivemos o pico de observação a seguir ao 25 de Abril, até que nos anos 80 voltaram a desaparecer para voltarem mais tarde, mas já com menos intensidade. Estes aparecimentos e desaparecimentos são estranhos e coincidem com certos períodos da nossa história social e política que explicam se calhar muita coisa. Há quem pense que são objectos de origem extraterrestre que nos visitam em certos períodos, mas perante as distâncias interestelares e as dificuldades da viagem, parece-me mais lógico pensar em fenómenos aeroespaciais com origem na Terra ou no espaço circundante. Muitos destes fenómenos são explicáveis, mas há uma pequena percentagem que ainda resiste à explicação, na minha opinião por várias razões. Em primeiro lugar, porque alguns são certamente fenómenos raros difíceis de observar com frequência e de estudar. Depois porque nem sempre os testemunhos que temos são fiáveis e suficientemente detalhados para permitir uma reconstrução do fenómeno. Há também a hipótese de alguns estarem relacionados com experiências militares, que devido ao seu secretismo não permitem escrutinar os fenómenos. Depois porque também faltam investigadores científicos sérios para estudar muitos dos fenómenos relatados. Não é fácil arranjar gente que dedique o seu tempo e atenção à explicação de fenómenos estranhos. Muitos não querem estar associados a este tipo de investigação e nem existem apoios sérios para isso. Acredito que se existisse um esforço mais concertado da comunidade científica muitos casos podiam ser deslindados. No entanto, não creio que esta atitude mude no futuro. Significa que vamos ter sempre uma percentagem baixa de fenómenos não explicáveis, que alimentarão sempre as revistas de ovnilogia e os grupos que vivem o fenómeno.

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Astrobiologia

Vida estranha

Um painel da Academia Nacional de Ciências dos EUA, constituído por especialistas em biologia, química, astronomia, geologia, etc, produziu um relatório de 116 páginas para a NASA no sentido de esta alargar os seus horizontes quando busca vida extraterrestre.
O painel considerou que poderá existir vida bastante exótica e estranha, da qual não temos qualquer conhecimento aqui na Terra.
Poderá existir vida que por exemplo não seja constituída por ADN, ou que não seja feita baseada no carbono, ou até que não necessite de água para existir. Daí que, considera o painel, a estratégia da NASA em procurar água fora da Terra no sentido de melhorar as chances de encontrar vida é uma estratégia limitada.

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