Calma! Ainda não é desta.

Estou a ler um livro viciante chamado “Centauri Dreams” por Paul Gilster, onde é abordada a problemática das viagens interestelares. O segundo capítulo do livro descreve os esforços actuais no sentido de fazer um censo dos sistemas planetários mais próximos tendo por objectivo primário descobrir planetas semelhantes à Terra. Esses serão sem dúvida os destinos prioritários das primeiras viagens interestelares.

Como se poderia adivinhar pelo título do livro, neste capítulo o autor foca a sua atenção em Alpha Centauri. As razões são bem conhecidas. Alpha Centauri A e B têm parâmetros físicos (massa, luminosidade, dimensão, idade) muito próximos dos do Sol. Para além disso, são cerca de 1.6 vezes mais enriquecidas em “metais” (elementos mais pesados que o hidrogénio e o hélio) que o Sol.

A teoria de formação planetária mais aceite actualmente, “core accretion”, prevê que estrelas mais enriquecidas em “metais” têm maior probabilidade de formar planetas e, em particular, planetas maciços. Esta correlação tem sido observada na descoberta de exoplanetas.

O facto de Alpha Centauri A e B formarem um sistema binário com uma excentricidade elevada (B orbita A atingindo distâncias mínima e máxima equivalentes às de Saturno e de Plutão, relativamente ao Sol) não parece constituir um problema. Vários estudos da dinâmica do sistema demonstraram já a existência de janelas de estabilidade com dimensões apreciáveis em torno de ambas as estrelas.

Com tudo isto a favor da existência de planetas em torno das estrelas de Alpha Centauri, e como o livro é de 2004, pensei para comigo se poderíamos dizer algo de mais substancial, baseado no trabalho dos vários projectos de procura de exoplanetas.

Um artigo por Elisa Quintana e Jack Lissauer, não sendo especificamente sobre Alpha Centauri, contém informação relevante, comunicada pessoalmente por Geoffrey Marcy. Segundo este, as medições realizadas pela equipa do Anglo-Australian Observatory usando a técnica da variação da velocidade radial, permitem concluir que, ou não existem planetas com uma massa superior à de Saturno em órbitas estáveis em torno de qualquer uma das estrelas, ou, se existem, a inclinação do plano das suas órbitas relativamente à nossa linha de visão deverá ser muito elevada.

Está difícil…