Raios Cósmicos
Os raios cósmicos são partículas altamente energéticas que bombardeiam, a cada segundo a atmosfera da Terra, as quais viajam quase à velocidade da luz (grosso modo, c = 300 000 km/s).
A sua proveniência/causa era desconhecida.
Evidências recentes (Outubro de 2007) parecem trazer uma luz do fundo do túnel para tal mistério. Uma causa possível parece estar relacionada com as supernovas – explosões de estrelas no final de sua vida (nem todas as estrelas terminam como supernovas) – que geram poderosos campos magnéticos numa escala bem maior do que se pensava, revelados por observações recentes a “hotspots” de raios-X nas supernovas.
Cientistas afirmam que a descoberta constitui a primeira prova directa de que as supernovas podem gerar raios cósmicos. Os remanescentes de supernovas expandem-se no espaço, e viajam através do gás inter-estelar, e, como tal, produzem ondas de choque que podem gerar poderosíssimos campos magnéticos. Os protões, electrões e outras partículas carregadas à deriva embatem nos campos magnéticos e são então acelerados a velocidades estonteantes criando desta forma os raios cósmicos.
Em Novembro de 2007, a Science lançou a resposta à questão: os raios cósmicos vêm de buracos negros maciços.
Em 2009, atingiu-se um Recorde de 50 anos!

A intensidade dos raios cósmicos tem aumentado imenso!
Atingiu-se o recorde dos últimos 50 anos – desde que temos exploração espacial -, o que é bastante mau para planear viagens a Marte.
A razão é simples: a intensidade de raios cósmicos é maior, quando a actividade solar é menor. E actualmente a actividade solar é bastante fraca, como podem ler neste nosso post.
Acelerador de Partículas da Via Láctea!

“Durante os voos das astronaves Apollo os astronautas relataram terem observado estranhos clarões de luz, visíveis até quando estavam de olhos fechados. Desde então aprendemos que a causa disso são os raios cósmicos — partículas extremamente energéticas vindas de fora do sistema solar e que atingem a Terra, e que estão constantemente bombardeando sua atmosfera. Quando elas chegam a atingir a Terra, ainda têm energia suficiente para causar causar problemas nos equipamentos eletrónicos das naves e satélites em órbita. (…)
Mas a pergunta que permanecia sem resposta era: O que acelera essas partículas, na maioria prótons, para fazê-los viajar em velocidades próximas à da Luz? Nem mesmo o LHC será capaz de acelerar partículas a velocidades tão altas quanto a desses raios cósmicos, que quase alcançam o “limite máximo de velocidade” do Universo.
O que os cientistas do observatório Chandra agora conseguiram foi flagrar em funcionamento esse acelerador de partículas natural. (…)
Os cientistas observaram uma supernova que explodiu no ano 185 da nossa era e que foi detectada por astrônomos chineses da época. Os restos da explosão, conhecidos como RCW 86, estão a 8.200 anos-luz da Terra, na constelação Circinus (compasso). (…)
O telescópio Chandra foi capaz de medir até mesmo a onda de choque causada pela explosão. (…)
A temperatura do gás atinge 30 milhões de graus Celsius, o que pode parecer muito, mas é muito menos do que o esperado. Dada a onda de choque da explosão, essa temperatura deveria ter aquecido o gás ao menos a meio bilhão de graus. “A energia faltante é o que acelera os raios cósmicos,” concluem os cientistas.”
Leiam mais sobre isto, em português, aqui e aqui, e em inglês, aqui e aqui.
Raios Cósmicos bons para a vida!
Apesar de no início, para “despertar” a vida, e imprimir complexidade ao sistema, talvez os raios cósmicos tenham sido importantes como fonte de energia, o certo é que desde aí sempre se pensou que eles fossem prejudiciais.
Se lerem este nosso post, sobre o Documentário Últimos Dias na Terra, percebem que raios cósmicos podem acabar com a vida na Terra, a qualquer momento, logo que sejam dos mais energéticos.
Mas um novo estudo indica que os raios cósmicos permitem um desenvolvimento mais rápido da vida na Terra.
O Sol tem um ciclo de 11 anos, que leva a que cada 11 anos o Sol tenha muito mais actividade, o que se traduz também em mais manchas solares.
As manchas solares contém um campo magnético que bloqueia e atrasa as partículas solares mais energéticas.
Assim, é nos períodos de maior acalmia solar, que existe um maior número de raios cósmicos a virem do Sol para a Terra.
Um estudo de crescimento de árvores, permitiu concluir que esses seres vivos crescem/desenvolvem-se mais durante os períodos de acalmia solar, quando existem mais raios cósmicos a acertarem na Terra.
Esta ideia, pouco intuitiva, permite perceber que os raios cósmicos podem “fazer bem à saúde”.
A radiação é benéfica para a vida!
Há várias teorias para o porquê de isto acontecer, mas não há consenso nos cientistas.
Uns apostam na teoria mais conservadora e indirecta: tem-se quase a certeza que os raios cósmicos afectam o clima, nomeadamente a formação de nuvens. Os raios cósmicos batem na atmosfera superior, levando a uma maior condensação, a um maior número de nuvens, “fertilizando” as nuvens, levando a mais chuva, o que faz a vida desenvolver-se mais rapidamente com a água.
Outros apostam na teoria mais directa e estranha: os raios cósmicos atingem directamente os seres vivos a nível celular e, de alguma forma, levam a um maior desenvolvimento.
Entre estes extremos, há outras teorias.
Mas mesmo a teoria supostamente mais estranha, tem algumas evidências a suportá-la, já que experiências feitas a bordo da Estação Espacial Internacional mostram que os raios cósmicos podem directamente ter um impacto positivo nos materiais biológicos.
Também extraordinário e que prova que sabemos muito pouco sobre a adaptabilidade dos seres vivos à radiação, especialmente no que diz
respeito aos seres vivos mais complexos (e se somos ignorantes aqui na Terra, fará a diversidade que haverá noutros planetas!), é esta notícia recente que nos foi dada a conhecer pelo nosso colaborador Luís Lopes.
Cientistas identificaram uma molécula que quando impedida de se ligar à membrana celular parece tornar as células imunes a elevadas doses de radiação (experiências em ratos):
“…they found that blocking a molecule called thrombospondin-1 from binding to its cell surface receptor, called CD47, affords normal tissues nearly complete protection from both standard and very high doses of radiation.”
Isto é fantástico até em termos de encontrar uma cura para o cancro:
“They have found a way to not only protect healthy tissue from the toxic effects of radiation treatment, but also increase tumor death.”
“”We almost couldn’t believe what we were seeing,” Dr. Isenberg said. “This dramatic protective effect occurred in skin, muscle and bone marrow cells, which is very encouraging. Cells that might have died of radiation exposure remained viable and functional when pre-treated with agents that interfere with the thrombospondin-1/CD47 pathway.”"
Tudo isto são mais vantagens da exploração espacial!
12 Oct 2007 Jorge Almeida






