Há menos de duas semanas o Carlos Oliveira escreveu sobre a descoberta do buraco negro estelar mais maciço, com cerca de 16 vezes a massa do Sol, no sistema M33 X-7. No que mais parece um concurso de obesidade cósmico, hoje foi anunciado um novo recordista, desta feita situado na galáxia IC10 na constelação de Cassiopeia. A galáxia é particularmente interessante pois é um membro do Grupo Local e é o exemplo mais próximo de um tipo de galáxias com formação vigorosa de novas estrelas denominadas de “starburst”.

IC10 X-1, a fonte mais brilhante de raios X da galáxia, é um sistema binário com um período orbital de 34.4 horas, constituído por uma estrela de Wolf-Rayet, 35 vezes mais maciça que o Sol e 1 milhão de vezes mais brilhante que o mesmo, e um objecto compacto. A natureza deste objecto foi determinada pelos astrónomos aproveitando o facto de o sistema se encontrar alinhado fortuitamente de tal forma que a estrela de Wolf-Rayet eclipsa a componente compacta. Desta forma, observações do eclipse, conjugadas com medições da velocidade radial do sistema permitiram calcular uma massa provisória para o objecto compacto de 24 a 33 massas solares (a incerteza deve-se em parte à dificuldade em estabelecer a massa da estrela de Wolf-Rayet).

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A detecção original dos eclipses foi feita pelo Observatório Chandra em raios X. Observações subsequentes efectuadas com o Observatório Swift e com o Gemini Telescope Hawaii, permitiram a determinação dos parâmetros orbitais. Agora os teóricos ficam com a tarefa difícil de explicar a existência de buracos negros estelares com massas tão elevadas. A resposta poderá estar no facto do gás da galáxia ser muito deficitário em “metais”…

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