Esta semana fui à FNAC ver alguns livros que queria comprar em português.
Um que já sabia que ia comprar e que não tem nada a ver com astronomia é o último do Harry Potter (a minha colecção está em português).

Quantos aos livros na parte de Divulgação Científica, sobretudo aqueles directamente relacionados com astronomia, fiquei um pouco desiludido. Não são muito diferentes de há 6 meses atrás e de até há 1 ano atrás, e parece-me que cada vez há menos diversidade…

Bem, de qualquer maneira fui até lá com uma lista de livros para dar uma vista de olhos para ver se iria comprar:

- Passeio Aleatório, do Nuno Crato: é um livro interessante, pequeno e diversificado. Tem temas tão diferentes como astronomia, culinária ou lingua portuguesa. Explica de maneira simples diferentes questões e assuntos. É um livro que recomendo, apesar de que eu decidi não comprar. Se fosse há uns anos atrás, comprava, agora noto que estou diferente; que prefiro ler livros mais focados num só assunto e com análises mais profundas dos problemas. Mas a minha mudança de gostos não retira valor ao livro, como é evidente.

- Conversas com Carl Sagan: já se falou aqui neste blog. Li um pouco dele, e achei que não trazia nada de novo. Novamente achei temas demasiado diversificados. E também reparei que já conhecia as opiniões do Sagan sobre aqueles assuntos. Por isso decidi não comprar. Mas, tal como em cima, o livro até é bom para quem está a começar a conhecer Sagan, por isso é um livro que também recomendo.

- História do Universe em BD: livro enorme de Banda Desenhada. Mas não era BD pintada… só os desenhos. E era… enorme. Decidi não comprar. Mas é BD, sempre é uma boa forma dos miúdos aprenderem sobre a evolução do universo e da nossa civilização.

- A Fórmula de Deus: já se falou na lista sobre este livro. Comecei a ler algumas partes e pareceu-me um pouco enfadonho, ou até algo similar a outros livros - lembro-me assim de repente dos do Dan Brown - que tiveram algum sucesso em anos transactos (passou a novidade). Vai daí, passei para o final para ver se as conclusões eram interessantes. Até eram. Mas na própria história e sobretudo no pós-história tem partes das quais não gostei nada. Por exemplo quando o autor afirma que o Princípio Antrópico tem evidências científicas, enquanto os Multiversos não têm qualquer evidência e por isso baseiam-se em fé. Ou não percebe a matemática do segundo e/ou não percebe a religiosidade inerente ao primeiro. Pegar no Princípio Antrópico para fazer passar a sua ideia, quer seja em literatura ou na própria ciência, para mim é um crime lesa inteligência. O que se passou antes do Universo, chamar-lhe um deus mecânico ou umas membranas das teorias das super-cordas, para mim não é grandemente diferente - apesar do segundo ter a matemática subjacente e a primeira se basear simplesmente em fé. Para o autor parece-me que esses papéis estão invertidos. Parece-me que foi neste livro que também vi uns erros de compreensão relacionados com as primeiras fases do Universo - por exemplo na parte da “criação da luz”. Quanto à ideia de universo cíclico que é exposta por todo o romance, o autor foi honesto admitindo que escolheu o “Big Crunch” em vez do “Big Freeze” simplesmente por motivos de romance - apesar de que, novamente, em termos científicos, tivesse sido mais correcto correntemente escolher o Big Freeze. Mas pronto, neste último ponto até nem sou muito crítico porque a ideia de ciclos é-me mais apelativa que a alternativa; mas no geral acho que houve uma tentativa de incluir ciência no romance que a espaços me pareceu ter incluídas ideias científicas mal compreendidas e até a levar em erro os leitores (a tal continuação de “misconceptions”). Como tal, também não adquiri o livro. Mas sem dúvida que é interessante, em termos de romance, e na relação com certas religiões orientais…
Aproveitem para ler outras opiniões sobre o mesmo livro, aqui e aqui.

Então qual adquiri? Um que não tem nada a ver com ciência. Diário de um Deus Criacionista, que é de um autor portugues e é escrito como um diário de uma qualquer pessoa, mas em forma de sátira/gozo.
Podem ler opiniões sobre ele, aqui.

Por fim, uma outra coisa que reparei: os livros e os DVDs andam muito caros em Portugal e sobretudo para as posses portuguesas; e a culpa nem é da FNAC, é geral. Curiosamente, isso parece ser indiferente, já que não falta gente a fazer compras! Ainda mais curioso é que uma das poucas partes em que se andava bem na FNAC era precisamente na secção de divulgação científica…