Pulsares
Para melhor entendermos as coisas, costumamos classificá-las em divisões discretas. Passa-se o mesmo na classificação das estrelas.
Daí que foi uma surpresa ver uma Anã Branca a comportar-se como um Pulsar.
A estrela AE Aquarii vem-nos lembrar que as categorias deverão ser mais contínuas do que parecem à primeira vista.
Observações de estrelas de neutrões em sistemas binários situados em enxames globulares permitiram determinar com precisão as suas massas.
Os resultados foram surpreendentes – as estrelas de neutrões têm mais massa – e só demonstram como é vago o nosso conhecimento das propriedades da matéria em condições tão extremas.
Uma estrela dupla, em que uma delas é uma estrela como o nosso Sol e a outra estrela é um Pulsar, é uma combinação que não se pensava possível.
No entanto, foi isso que se descobriu a 21.000 anos-luz de distância.
O pulsar tem por nome J1903+0327, roda sobre si próprio 465 vezes por segundo, e tem uma órbita de cerca de 95 dias terrestres.
Ainda se pondera que este sistema pode ser triplo, com uma anã branca por perto. O que seria ainda mais surpreendente!
Objecto de Thorne-Zytkow é uma estrela hipotética, em que uma estrela de neutrões está dentro de uma estrela gigante ou supergigante.
Em Agosto de 2009, descobriu-se uma Nova na constelação de Sagitário.

Cerca de 40 Novas são descobertas todos os anos na Via Láctea.
Podem ler na wikipedia:
“Novas são estrelas cujo brilho aumenta milhares ou mesmo dezenas de milhares de vezes num período extremamente curto – de um dia ou ainda menos.
(…)
Num sistema binário a distância entre as estrelas é tão pequena que ocorre tranferência de matéria para a estrela anã branca de sua companheira menos massiva e fria. A anã branca acumula matéria em uma região de sua superfície e quando pressões e temperaturas para fusão termonuclear desse material são alcançadas, ela ocorre de materia instável e explosiva, sem que no entanto destrua a anã branca, que pode assim, voltar a acumular matéria e explodir como nova outras vezes.”
Esta nova foi descoberta por Japoneses: Koichi Nishiyama, Kurume, Fukuoka-ken, Fujio Kabashima, Miyaki-cho, Saga-ken.
O objecto tem o nome Nova Sgr 2009 No. 3 ou VSX J180707.6-334633.
Aluno descobre objecto estranho:

Lucas Bolyard é aluno de uma escola na Virginia, e enquanto participava num projecto com dados do Green Bank Telescope descobriu um pulsar diferente.
Pulsares são o resultado de estrelas massivas terem morrido como supernovas, são estrelas de neutrões que rodam rapidamente (por vezes, várias vezes num segundo), emitindo radiação.
O que o aluno descobriu agora é um pulsar lento e esporádico – que pode demorar várias horas até emitir novamente radiação.

Aluna descobre pulsar:

Uma estudante de 15 anos, de uma escola na Virgínia Ocidental, colaborou na descoberta de um novo pulsar. A estudante chama-se Shay Bloxton. Leiam aqui.
Estas descobertas com a colaboração de alunos, fazem parte de um projecto entre o National Radio Astronomy Observatory e as escolas. Vejam o projecto e candidatem-se, clicando aqui.
Pulsares visíveis em raios gama:
Em Agosto de 2008, GLAST = FGST.
A NASA renomeou o observatório GLAST (Gamma-ray Large Area Space Telescope) para Fermi Gamma-ray Space Telescope, em homenagem ao eminente físico de ascendência italiana e prémio Nobel da física, Enrico Fermi. Podem ver a notícia aqui.
Entretanto, o observatório parece estar a funcionar em pleno e fez já um primeiro mapa do céu nocturno em radiação gama.
Neste mapa, as fontes mais brilhantes, já conhecidas, são os pulsares dos remanescentes de supernova do Caranguejo e de Vela e o misterioso pulsar Geminga. Uma outra fonte particularmente luminosa é o “blazar” 3C 454.3, o núcleo de uma galáxia activa a 7.1 mil milhões de anos de luz!

Em Outubro de 2008, o Observatório Fermi fez uma descoberta notável!
Trata-se do primeiro exemplar de uma população de pulsares que são apenas visíveis em radiação gama e cuja existência era postulada por vários estudos teóricos. Estes estudos indicavam que os feixes de radiação gama emitidos pelos pulsares são mais largos do que os feixes nos restantes comprimentos de onda. Este facto faz com que pulsares até agora não detectados, por não terem um alinhamento favorável com a Terra, possam agora ser observados em radiação gama.
O exemplar em causa está associado com o remanescente de supernova CTA1, na constelação de Cefeu. Podem ver a notícia aqui.

Depois da descoberta do pulsar associado ao remanescente de supernova CTA-1 em Cefeu, o primeiro visível exclusivamente em raios gama, o telescópio Fermi acabou de alargar essa amostra para 12 e detectou também raios gama provenientes de 18 outros pulsares conhecidos.
A descoberta de pulsares visíveis apenas em raios gama é importantíssima para esclarecer a forma como estes astros produzem as suas emissões de energia. Um pulsar não é mais do que uma estrela de neutrões (com 20-30km de diâmetro) fortemente magnetizada e em rotação. A estrela emite um feixe de ondas de radio dos seus pólos magnéticos através de um mecanismo que não é ainda totalmente compreendido. Quando o eixo de rotação e o eixo magnético do pulsar não coincidem, o feixe emitido varre um cone no espaço e se este intersecta a Terra observamos os impulsos periódicos de rádio que deram o nome aos pulsares. Um efeito análogo ao de um farol.
Se atendermos ao facto de que os pulsares armazenam uma quantidade fabulosa de energia (resultante do colapso gravitacional de uma estrela), quando os observamos em ondas de rádio vemos apenas uma ínfima parte da energia por eles produzida. A maior parte da energia é emitida nos comprimentos de onda mais curtos, e.g. raios gama, pelo menos para pulsares não muito antigos. Pouco se conhecia do comportamento dos pulsares nestas energias. Por exemplo, será que os pulsares também emitem feixes de raios gama pelos seus pólos magnéticos, como na figura abaixo (feixe de raios gama a magenta).

Se assim fosse, todos os pulsares rádio seriam também detectados em raios gama com idênticos períodos. Ora, a descoberta de pulsares visíveis *apenas* em raios gama implica que a região onde se geram os feixes de ondas de rádio e os raios gama são distintas. Esta observação vem ao encontro de uma teoria segundo a qual os raios gama são produzidos numa região em torno da estrela de neutrões devido à aceleração relativística de electrões e de outras partículas carregadas, como na figura abaixo (radiação gama a magenta e feixe de ondas de rádio a verde).

Assim, não só os pulsares não exibem o famoso “efeito de farol” quando observados em raios gama como estes últimos são produzidos a uma distância significativa da superfície da estrela. Para o pulsar Vela (associado aos famosos restos de supernova na constelação com o mesmo nome), isso ocorre a uma distância de cerca de 450 km da superfície.
Em Julho de 2009, o Telescópio Espacial de Raios-Gama Fermi descobriu 16 novos pulsares – estrelas de neutrões que rodam rapidamente sobre si próprias. Leiam na APOD.


Li um livro sobre a história da descoberta dos pulsars e a evolução do nosso conhecimento sobre os mesmos. Trata-se do “Clocks in the Sky: The Story of Pulsars” por Geoff McNamara, publicado pela Springer.
Está escrito de forma muito clara e concisa e cheio de pequenas preciosidades como relatos pessoais de alguns dos cientistas mais marcantes nesta área de investigação. A quem gosta do género aconselho vivamente a sua leitura.
08 Jan 2008 Luis Lopes






