Não há muito tempo, os macacos, cães eram enviados para o espaço como cobaias…. mas foram também enviados para o espaço… moscas! Com um objectivo muito distinto dos primeiros, obviamente. A ideia era tentar estabelecer quais os efeitos na saúde humana um ambiente de microgravidade. E assim foram enviadas 100 moscas da família Drosophilidae. É sabido que um ambiente de imponderabilidade (a sensação de ausência de peso, contudo é preciso notar que a gravidade está sempre presente!) provoca problemas sérios no homem. Um caso de uma ferida banal, no espaço demora muito mais tempo a sarar, por exemplo. Há também um risco acrescido de as bactérias poderem sofrer mutações que poderão ser mais perigosas no espaço, já que a capacidade imunitária fica comprometida no espaço. Pode parecer estranho que mandem moscas para o espaço para saber que efeitos pode conduzir um ambiente destes no homem, mas a resposta do sistema imunitário das moscas é muito similar à dos humanos. Adicionalmente, as moscas não precisam de grandes quantidades de nutrientes e tão pouco requerem muito espaço, o que as faz serem excelentes nesta empreitada. Na verdade, ao contrário do que se pensa, não foram nem macacos, nem  cães os primeiros animais a serem enviados ao espaço pelo Homem, mas sim… as moscas! Em 1947, foi lançado um foguete V2 que levava um frasco de moscas e um pacote de sementes de milho… para se investigar os efeitos da exposição de radiação a elevada altitude.

As experiências com as moscas ainda decorrem… isto tudo no interesse de uma futura exploração a Marte. Uma missão de longa duração implica estudar os riscos de permanência no espaço para a saúde humana. Daí a capital importância de se tentar averiguar quais poderão ser  os riscos para a saúde humana e formas de evitar tais problemas, numa viagem a Marte decorrer sem grandes problemas. E tudo isto com ajuda de moscas!