Encontros Imediatos 5, 6, 7, 8, 9
Temos andado a acompanhar esta série muito fraca sobre os casos mais importantes de OVNIs em Portugal.
A série tem uma perspectiva histórica, mas falta-lhe a parte de ciência. Em vez de se concentrarem em explicações lógicas e científicas, o ênfase é dado ao mistério (quando muitas vezes ele nem existe), à pseudo-ciência, e à simples crença religiosa.
Como fonte histórica, e como apresentação de um trabalho feito por investigadores competentes ao longo de décadas, a série é boa; mas perde incrivelmente em termos de honestidade científica na forma como os argumentos e os resultados são apresentados. Pessoalmente, parece-me que, tal como os astrólogos na TV, estes também andam a enganar a audiência que têm…
Já comentamos o 1º, 2º, 3º, e 4º episódios desta série.
O que nos apraz dizer sobre o 5º episódio?
Apesar de ser um caso que já tem 50 anos - ou seja, datado -, parece-me que é uma história bem interessante. Melhorou em relação ao anterior pelo facto do caso já não ser ridículo.
Continua a irritar-me a máquina de escrever no início do episódio e a música de fundo.
O facto da série continuar a parecer ter sido realizada no final dos anos 70 é também muito mau.
Em termos positivos no episódio, existe algo que já existiu em episódios anteriores: o Joaquim Fernandes tem falado pouco - só no inicio e no fim do episódio. Tendo em conta as dificuldades de comunicação que detém, isto é um claro sinal de inteligência. Tendo em conta que ele é o mentor do projecto, e no entanto “deixa” que outros tenham mais minutos de antena que ele, então isto também denota generosidade da sua parte.
Por outro lado, reparei que a produção decidiu-se por repetir por duas vezes a mesma história (contada pelo narrador e pelo general Lemos Ferreira), em vez de aproveitar esse tempo quiçá para falar mais da ciência que poderia explicar o caso.
Os investigadores, produtores, escritores, ligados ao programa continuam sem perceber a mais elementar lógica, e entram por raciocínios que fazem inveja aos argumentos pseudo. É certo que o general e o resto dos pilotos tinham competência aeronáutica, que têm experiência de vôo. Mas não é isso que está em causa. Usar isso como argumento para o caso ser inexplicável é um perfeito disparate. Eles por acaso são especialistas em, por exemplo, óptica? ou geomagnetismo? Não! Eles nem sequer devem ter background em astronomia, tal como o próprio Buzz Aldrin (2º homem na Lua!) afirmou na CNN quando descreveu uma experiência sua (afinal tinha sido Vénus!). Apesar de disparate, está de acordo com o raciocínio dos autores do programa - já deixado escrito há uns tempos atrás - de que o facto de serem bons investigadores (eu até os conheço e sei que são) faz deles especialistas em comunicação televisiva! Uma coisa não tem a ver com a outra! Assim como o General ter muitas horas de vôo não faz dele um bom físico. Assim como o facto de eu ter um curso de astronomia não faz de mim um excelente trolha. Ou seja, a competência numa área não faz da pessoa especialista noutra. E o uso desse argumento pseudo, de apelo a uma falsa autoridade (porque a autoridade é sobre uma área que não é relevante), deturpa o caso.
Eu até sei que sao bons investigadores, com experiência, competentes, empenhados, e sérios, mas se só os conhecesse pelo programa, diria que são totalmente pseudo, que só estao dispostos a enganar as pessoas - porque é assim que eles se “vendem” no programa. Há uma presunção de que por assumirem que são bons investigadores, então também são cientistas e bons comunicadores (sabem fazer programas de TV). Mas isto é uma falácia, um non-sequitur. Não tem nada a ver!
Bastante interessante também, e triste, é quando perto do fim do episódio um dos entrevistados resolve afirmar que aquilo que eles viram se tratava de uma nave. É pena que se continue a assumir coisas sem se saber (note-se que o caso é somente de avistamento de luzes), e se continue na crença que à viva-força elas tenham que ser naves. Novamente, pseudo-ciência, o engano, a mentira, a reinar.
O que se deveria ter dado uma maior relevância é à explicação do cientista, especialista em geomagnetismo, que confirmou que nesse dia houve uma actividade anómala nessa área. Tendo em conta isto, e se o programa - e os seus autores - estivessem interessados em ciência, esta seria a hipótese seguida, estudada e relatada.
Mas está mais que visto pelos episódios anteriores, que os autores do programa não estão interessados na ciência ou nas explicações científicas, mas preferem dar auras de mistério - como afirmou o Paulo Heleno - a casos que facilmente se percebe que nem as têm que ter, e entrar por argumentos próprios das pseudo-ciências que deveriam ser arredados da OVNIlogia se o objectivo era elevá-la em termos de capacidades e competências.
Ainda sobre o facto de preferirem a aura de mistério, note-se que isso não é dar relevância à ciência como o apresentador disse no episódio anterior. Pelo contrário!
A ciencia tem e dá respostas! Daí que andamos de carro, temos computadores, e até enviamos sondas pelo universo - mesmo sem sabermos tudo sobre o universo!
Há um verdadeiro abuso da palavra ciência! Sobretudo no episódio anterior.
Mas mesmo aqui, quando se infere que uma pessoa por ter um determinado background, já tem que ser especialista noutra área diferente! E mesmo quando os próprios autores do programa - não cientistas - acham que podem falar e abusar de falar de ciência que desconhecem. Os cientistas são os que devem falar da ciência e não toda a gente achar que o pode fazer. Era tipo informáticos, canalizadores, advogados, economistas, etc, decidirem fazer um programa sobre a vida das pulgas no deserto do Sahara. E afirmassem no programa que estavam a defender a biologia! Não estão! Porque não fazem a mínima ideia do que falam. Não se podem considerar cientistas ou biólogos. Nem que estão a fazer uma expedição científica. São falsas autoridades! Como o Daniken que vendeu muitos livros, como se fosse um especialista em arte antiga - não passava de um pseudo!
Logo, os autores não estão a defender a ciência neste programa! Nem sequer a OVNIlogia! Estariam, se tentassem resolver o mistério, dando relevância àquilo que a ciência nos diz, concentrando-se por exemplo no efeito geomagnético e no especialista nessa área.
Assim, pode-se até dizer que, baseados no seu background, os seus inquéritos e estudos têm uma base sociológica. Mas análise científica é que não!
Achei também interessante, pelos piores motivos, um comentário aqui deixado ao episódio anterior.
A leitora - que utiliza um anagrama - começa por dizer que o programa visa casos sem explicação científica. É um facto; é um facto que é isso que o programa quer dar entender. Mas isto é somente porque o programa prefere não se concentrar nas explicações científicas. Eu posso continuar a achar que a trovoada é magia, feita pelo deus Thor, ou até fazer um programa em que foco a parte mística e inexplicável de quem vê a trovoada (as testemunhas!). Ou então posso optar por entrevistar especialistas em meteorologia, por exemplo. O facto do programa querer levar o leitor - em erro - para o mistério, não faz do caso um verdadeiro mistério. O facto do programa não querer saber de ciência, lógica, ou argumentos minimamente racionais, não quer dizer que eles não existam.
Seguidamente a leitora diz que no post se rotula de “estúpido”. Mas quem lê o post, e compreende português, percebe que a palavra estúpido só aparece por 2 vezes para rotular a forma como algumas pessoas vêem os extraterrestres. Logo, nada a ver com a interpretação da leitora.
A seguir a leitora compara os autores do programa com os “doidos” que descobriram as causas das doenças, ou os “loucos” que descobriram o heliocentrismo. Ora, isto não tem nada a ver.
O que no post se afirmou foi que é errado eles dizerem que andam à procura de explicações científicas. Não andam. O próprio mentor do programa o confirmou em privado. Logo, na TV, é errado e enganador dizerem que o andam a fazer.
É também completamente errado comparar este tipo de ovnilogia com os exemplos que deu.
Os exemplos que deu são passíveis de confirmação pela ciência, utilizando o método científico. E foi a ciência que o confirmou. Isto é bastante importante. Se conseguimos curar doenças, se sabemos que a Terra orbita o Sol, se temos computadores, se enviamos sondas para outros planetas, etc, tudo isto se deve à ciência! Esses “loucos”, como lhes chama, continuariam sendo loucos se não se ligassem à ciência! Alguém imagina quem seria Galileu, a não ser um pobre coitado perdido na história, se não tivesse feito todas as experiências que fez, utilizado o método científico e provado matematica e experimentalmente aquilo que pensava? E Newton? Que até teve que inventar o Cálculo! E Einstein? Enfim, exemplos não faltam na História da Ciência de quem decidiu seguir o método, o caminho, o pensamento, o raciocínio, científico! Quem não ficou na história foram todos aqueles que afirmavam fazer ciência mas isso era só fogo de vista. Quem não ficou na história foram todos os pseudo (ex: astrólogos) que afirmam que fazem ciência mas que nunca provam nada, e continuam a rodear os resultados numa aura de mistério, como se fosse difícil perceber que o que dizem não faz sentido (semelhanças com o actual programa devia ser pura coincidência… mas infelizmente não é).
Nesta onda pseudo enquadra-se também este programa, e a forma como estes investigadores estão a “vender a ovnilogia” - como algo que deve ser arrastado pela lama da pseudo-ciência.
A ciência é falsificável. A OVNIlogia não é falsificável, é demasiado flexível, e tem um poder explicativo enome. Ou seja, é religião. Não estou contra a religião. Mas confundir ciência com religião é prestar um péssimo trabalho à ciência, à religião, e à OVNIlogia. Levar a OVNIlogia pelo caminho das crenças, não é prestar um contributo científico à OVNIlogia. Por outro lado, confundir métodos sociais com métodos científicos, é entrar pelo mesmo caminho da pseudo-ciência.
Quanto aos Velhos do Restelo, a ciência tem por inerência o cepticismo. Só assim é possível não se perder tempo com milhentos “loucos” que aparecem todos os dias. Só através desse filtro se pode ter computadores (para ler posts em blogs e escrever comentários em que se prova não perceber o que é ciência), se pode ter carros, se pode perceber de Biologia, Astronomia, etc e tal. Mas ciência sempre foi, é, e será, contrária aos resultados requeridos pelo mito dos Velhos do Restelo. A ciência está em constante desenvolvimento, é um processo contínuo de descoberta. Olhando para os exemplos anteriores (Galileu, Newton, Einstein), só por deficiência se pode assumir que eles são Velhos do Restelo. E comparar estes “loucos” aos autores do programa, que preferem o mistério, em vez de o resolverem, é em si próprio uma “loucura”.
A leitora fala em loucos e velhos do restelo como se os autores do programa estivessem na vanguarda da ciencia ou sequer estivessem interessados na ciência. Não estão! Pelo contrário! É preocupante quando não se sabe o que é ciência, quando se confunde ciência com crença, quando se confunde ciência com pseudo-ciência.
Mas note-se: no programa não há loucos. Somente existem pessoas que não percebem o que é a ciência. E existem episódios, como foi o caso anterior (4º), que não contém um filtro que lhes permitam ver que casos são ridículos em termos lógicos e científicos; mas que podem na mesma serem estudados numa vertente sociológica e psicológica.
Quanto ao episódio 6, começa-se novamente por colocar o ênfase em fenomenos misteriosos e inexplicáveis. Porquê? Não é melhor compreender a beleza de como os relâmpagos se processam, do que andar constantemente a afirmar que foi “Deus”, que foi “magia”, ou que foi uma “força misteriosa”?
A ciência é feita do ke se sabe. Para quê dar uma constante aura de misterio ao que não tem?
Eu falei com duas pessoas que estiverem lá na Serra da Gardunha durante vários dias a estudar o fenómeno. O Luis Ribeiro - que pertence à nossa comunidade - até tem algumas histórias engraçadas. Mas onde está ele no episódio? Pois… é melhor pôr testemunhas sem credibilidade do que quem investigou in loco o que (não) se passava. Quanto ao José Sottomayor, disse-me textualmente que o que a testemunha/observador disse que via não tinha nada a ver; a testemunha principal não tinha quaisquer conhecimentos do céu, não sabendo quando passavam satélites, o que eram iridium flares, etc e tal, por isso, para a testemunha, tudo isso eram OVNIs - novamente, o ser boa pessoa, o não estar a mentir, e acreditar que existiam naves espaciais não faz com que perceba de satélites!!! O argumento de ser boa pessoa não dá qualquer evidência para o fenómeno! Usar esse argumento como se fosse evidência de que aconteceu algo, é enganar o espectador!
Mas comparem esta conclusão e resolução de mais um “não-caso” com o que é dito no episódio por todos, incluindo pelo mesmo José Sottomayor. Fala-se tanto em conspirações governamentais, mas pelos vistos as únicas conspirações existentes são feitas por quem quer conservar uma aura de mistério onde ela não existe e, sendo assim, quer enganar as pessoas!
Por outras palavras, a Gardunha já foi dissecada ao pormenor por investigadores do CEAFI com idas ao terreno e com entrevistas exclusivas ao fomentador deste mito. A conclusão foi óbvia, como deveria ser óbvia para quem sabe o que são satélites, “iridium flares”, meteoros, entre outras coisas. Existem entrevistas e estudos pormenorizados que retiram toda e qualquer espécie de dúvida.
Mas é mais fácil dissiminar mitos … que é sem dúvida o objectivo deste programa!
O registo histórico até pode ser bom, a análise psicológica também, mas enganar as pessoas nunca foi, é ou será ciência! Falta ao programa uma análise científica e uma divulgação honesta destes não-casos!
Notem também que só entra a parte de “abduzido”, após estudar o fenómeno e imaginar que são extraterrestres!! Ou seja, repetiu o que leu em livros, após ser influenciado por eles.
A parte dos santuários também é importante. Como se vê, isto é religião. Confundir religião com ciência é de uma extrema pobreza intelectual.
Neste episódio, não entra o Luis Ribeiro que até passou uns dias e noites na Serra da Gardunha a investigar o potencial fenómeno… mas entra o Fernando Ribeiro que não só já ficou publicamente conhecido pela sua falta de educação, mas sobretudo porque não passa de um simples trabalhador da Portugal Telecom (PT) na secção de “qualidade e serviço ao cliente”. Não tenho nada contra os trabalhadores da PT, mas certamente que se quero saber de magnetismo, geologia, astrofísica, fenómenos atmosféricos, etc, não é a eles que me devo dirigir! Como é óbvio! Excepto para os mentores do programa!
Para os mentores do programa, se se quer saber de Biologia, pergunta-se a um trolha, se se quer saber de astrofísica, pergunta-se a um sociólogo, se se quer saber de geologia, pergunta-se a um psicólogo, se se quer saber de astronomia, pergunta-se a um trabalhador da PT.
Não existe ciência! Faz-se o programa para se vender a pseudo-ciência!
A falta de cientistas, especialistas em áreas científicas, educadores científicos, etc, estende-se por toda a série. Os “investigadores” são todos não-cientistas. O próprio mentor do programa é Historiador.
Se se queria dar um mínimo de qualidade ao programa, convidava-se cientistas, e dava-se grande relevo às suas explicações, e não dar relevo a quem não sabe o que diz. Novamente, o que se pretende é enganar as pessoas!
Dizer que um simples trabalhador da PT com graves falhas em termos de educação é investigador, e depois presumir que sabe de ciência, é a mesma coisa que uma pessoa dizer que é engenheiro informático e investigador na área das engenharias só porque uma pessoa faz inserção de dados numa folha de EXCEL.
Quanto ao episódio 7, começou logo com uma piada… só pode ser piada! Então o Joaquim Fernandes diz que este caso é parecido com o desembarque na Normandia?? Mas por acaso os ETs vieram do mar?? Enfim…
Novamente, só há 2 testemunhas. Estes casos com poucas testemunhas não fazem qualquer sentido de um ponto de vista científico. Se só o Einstein viesse prá TV dizer que a luz curva ao passar perto de centros de massa, não estaria certamente nos livros de ciência. Uma das caracteristicas da ciência é poder ser provada por toda a gente que o queira fazer, em qualquer parte do mundo. Daí que ter só 1 ou 2 testemunhas é tudo menos ciência.
Quanto à testemunha masculina… este não é o mesmo que apareceu no programa Gregos e Troianos aqui há uns anos (em que o nosso colaborador Zé Matos também apareceu), que se afirmou biólogo, mas que conseguia discernir o sexo feminino de uma ET a cerca de 1 km de distância?? Na altura, e já foi há vários anos, parti-me a rir, em forma de gozo, de como um Biólogo poderia dizer uma barbaridade daquelas! Se mesmo na Terra, existem animais que é dificil discernir qual é o macho e qual é a fêmea, e este iluminado não só acha que os ETs são como nós (basicamente eram iguais aos ETs dos filmes… o que deve ser porque os ETs gostam muito de Hollywood), mas até sabe distinguir o sexo dos extraterrestres!! e a 1 km de distância!!! Ridículo…
Se não me engano, no Gregos e Troianos, a Júlia Pinheiro perguntou-lhe se eles tinham fumado alguma coisa… e ele não negou!
Seja ou não a mesma personagem, o certo é que no programa, a testemunha masculina também afirma que um dos ETs tinha uma morfologia mais feminina!!!! Enfim…
Claro que os mentores do programa poderiam aproveitar isto para educar a audiência em termos de astrobiologia, e no que se poderá encontrar lá por fora. Mas na senda do resto da série: educar as pessoas?? Isso é que não! Ciência?? Não queremos saber dela!
Por outro lado, o que as pessoas dizem que vêem não adianta! Até podem estar a dizer a verdade, mas isso não quer dizer que o que viram existiu mesmo! Ciência é o que realmente existe. Já este programa é baseado em histórias, no “diz que disse”…
Novamente neste episódio repetem a história 2 vezes (pelo narrador e pela testemunha). Não seria melhor aproveitar esse tempo para falar sobre ciencia? Noutro website já se queixaram que o programa é curto, que têm pouco tempo, e por isso não podem dar o devido relevo àquilo que gostariam… mas afinal o que se passa é que desperdiçam o tempo a repetirem as mesmas coisas várias vezes!
Também me está a parecer que qualquer pessoa que diga que viu umas luzes no céu já tem direito a aparecer neste programa. Sinceramente não percebo os critérios.
Note-se que eles próprios dizem “creio que aconteceu”. Ou seja, não passa de uma crença - religião!
Curioso também vir o Manuel Corado dizer que se fosse só 1 testemunha não tinha validade! Porque raio é que ele não disse isto em episódios anteriores? Há vários com uma só testemunha!! Pois é, lá está a falta de honestidade científica, educadora, divulgadora, dos mentores do programa.
Por outro lado, o que o Manuel Corado diz sobre o facto de serem duas testemunhas não faz qualquer sentido. A não ser que ele não saiba as diferenças para testemunhos independentes…
Também me deu vontade de rir afirmarem que não há vantagens em inventarem estas coisas. Será que isto é falta de inteligência, vontade de não pensar, andar arredado do mundo há várias décadas, ou pura e simplesmente é uma campanha para enganar os espectadores???
Qual a vantagem das pessoas irem ao Fear Factor comerem gafanhotos, ratos, e pénis de cavalo para depois irem para casa de mãos a abanar? Qual a vantagem das pessoas irem humilhar-se ao “The Moment of Truth” ou demonstrarem a sua falta de inteligência no “Sabe mais do que um miúdo de 10 anos?” para depois irem para casa sem nada???
5 minutos de fama! 5 minutos na TV!!! E não pensar nas consequências! Não é difícil perceber isso!
Neste programa gostei de ouvir o Paulo Lima Santos. Apesar de alguns problemas em expressar-se de forma motivante, o conteúdo do que disse pareceu-me importante.
Quanto ao que o Francisco Carrapiço disse, eu não poderia estar mais de acordo. É claro que haverá vida extraterrestre.
O grande problema foi os mentores do programa, na senda da pseudo-ciência e na senda dos pseudo-investigadores, misturarem esse facto (provável existência de ETs) com os OVNIs que não têm nada a ver! Uma coisa é existirem. Outra coisa é serem como nós, terem tecnologia como a nossa, e aparecerem por cá num infindável Universo.
Ou seja, não se limitando a enganar os espectadores, agora o programa até utiliza frases de cientistas, distorcendo-as, para formar ligações ridículas.
Faz-me lembrar os astrólogos, o Daniken, os maluquinhos que dizem que existem bases extraterrestres na Lua, etc e tal. Ou seja, os mentores do programa basicamente estão a fazer um excelente trabalho de arrastar a ovniologia pela lama da pseudo-ciência.
Ainda sobre este episódio, note-se o espaço temporal. A história é contada 25 anos depois. Pensem onde estavam há 25 anos atrás (!!!) ou até há 10 anos atrás (!!) ou mesmo no ano passado (!!); lembram-se das coisas com uma clarividência ao segundo sobre o que se passou durante várias horas? Tipo, pensem na vossa última viagem ao estrangeiro, que até vos marcou bastante e por isso até se lembram bastante bem dela. Mas lembram-se das situações segundo a segundo?? NÃO! Claro que Não! Lembramo-nos de algumas situações e o resto é interpretado pela mente… até podemos criar uma história sobre o que se passou durante várias horas, mas não é segundo a segundo, e algumas das coisas não passam de interpretações porque não nos lembramos de tudo… simplesmente passamos a assumir que foi o que se passou. A nossa mente é fantástica! Tão fantástica que até vemos filmes normalmente… sem interrupções de telas pretas…
Ora, comparem isso com o que dizem as testemunhas… neste episódio e noutros anteriores… as memórias parecem verdadeiras? Pois….
Outro dos entrevistados, supostamente como especialista, foi o Augusto Castro, que aparece como sendo… filósofo! Para não variar, mais um não-cientista. E o que diz ele? Que está convencido que as testemunhas viram algo. Conseguem ver onde está o erro de pensamento, de lógica? O objectivo devia ser saber se alguma coisa existiu ou não! E não ser, acreditar ou não nas testemunhas! Mas estes “especialistas” parecem não conseguir perceber a diferença entre as duas situações… precisamente porque não são cientistas. Todas estes supostos “especialistas” são somente crentes.
Até podem dizer que estão a falar de ciência (como fazem os astrólogos), ou de vida extraterrestre, mas não estão. Estão a fazer pseudo-ciência, estão a enveredar por caminhos religiosos, estão a “praticar ciência-vodu”, estão a enganar as pessoas, estão basicamente a continuar a arrastar a ovnilogia pela lama com programas destes.
Passando ao episódio 8, este não é o caso do míssil secreto??
No episódio afirmam que foi uma experiência única, grandiosa, um dos maiores avistamentos em simultâneo de que há memória, e blablabla. Claro que se começassem por dizer que era um míssil, já não podiam pôr toda esta aura de mistério - como se o facto de ter sido visto por muitas pessoas faça com que o objecto tenha que ser estranho ou extraterrestre!!
As pessoas não sabem o que vêem, não sabem o que são meteoros, não identificam satélites, etc. Nem sabem o que vêem, nem sequer sabem descrever o que vêem, daí até se dizer no episódio que as descrições das testemunhas são muitíssimo diferentes. Ou seja, em termos cientificos, estas descrições não valem nada. É o mesmo que dizerem que viram Deus ou o Monstro de Esparguete Voador. Provavelmente até viram algo, mas não quer dizer que seja extraterrestre ou endeusado.
Não percebo quando se diz que a ser um missil francês, então terá que cair em África!!?? Então um missil secreto vindo de França, não atravessará a Peninsula Ibérica (como o objecto fez!) e irá cair no oceano??? Eu quando vou de avião em linha recta para Portugal, não vou ter a África!! Enfim…
Também não percebo o ênfase que é dado aos radares da Força Aérea. Se era missíl, é claro que seria detectado.
Que situaçoes é que o missil não explica? No episódio diz-se que existem, mas decidem não explicar.
Também é referido o facto de poder ser um objecto experimental militar! Como é óbvio! Foi assim com os OVNIs triangulares da Bélgica, e no entanto estas mesmas pessoas andavam na altura a fazer conferências a explicarem que não se sabia o que era… mas lá tá, não passava de algo bem terrestre.
E o Paulo Macedo até diz isto, e bem, no final. O mal é passarem 18 minutos a fomentar crenças pseudo-religiosas, deixando somente 1 minuto para explicações racionais e lógicas.
Quanto à influência do investigador espanhol, só se “esqueceram” de dizer que me contactaram e eu contactei a pessoa que nos EUA tem uma lista desses lançamentos secretos. Essa pessoa confirmou o lançamento do míssil Francês. Se é certo que o investigador Espanhol mentiu nos dados que transmitiu, também é certo que estes “investigadores” portugueses decidiram omitir informações que me parecem importantes de um astrofísico de Harvard. E se omitiram estas informações, imagina-se que outras informações omitem só para conservarem a aura de mistério em situações que se fossem científicas perderiam esse “mistério”. Mas pronto… seria como começar um programa perguntando: sabe-se como a TV funciona? Programas como este preferem dizer que não, e deixar no ar a aura de mistério… Talvez a TV funcione por magia! OU talvez sejam os ETs que fazem a TV funcionar!! Enfim…
A Ciência baseia-se em dados científicos; a pseudo-ciência é o diz que disse com imaginação a rodos, sem quererem saber da verdade.
Mais, lendo alguns dos testemunhos apresentados e vendo as notícias televisivas, e dividindo-os em 2 categorias, parece-me claro, pelo menos para mim, que houve dois fenómenos não simultâneos mas pouco espaçados do tempo, e que foi isso que as pessoas viram. No entanto, a “investigação” quer ver só um objecto…
Além do missil, o outro OVNI reportado não era mais que um meteoro. Mesmo o facto de ele parecer subir em determinados momentos é facilmente explicado por quem está dentro do assunto. Claro que é mais fácil e mais conveniente dizer que se tem dúvidas mas até deixar a ideia que se investigou o caso. Se o Newton tivesse feito o mesmo, nesta altura ainda não tinhamos ido à Lua!
Mas pronto, como as pessoas não são cientistas - são historiadores, trabalhadores da PT, etc - compreende-se que não tenham pensamento científico.
Para quê haver físicos? Para quê haver geólogos? Para quê haver astrónomos? Afinal, segundo esta série, o que advogados, filósofos, historiadores, trabalhadores da PT, etc, dizem é que tem valor!
Da próxima vez que estiverem doentes, vão a um advogado, a um historiador ou a um trabalhador da PT, porque parece que estes sabem de todas as matérias e mais algumas! Médicos? Para quê? Um filósofo é que vos cura!
Não estou a brincar, nem sequer estou a tentar ofender alguém! Simplesmente entristece-me e revolta-me o facto de não terem feito um programa com muito mais qualidade e com contributos muitos mais cientificos. Revolta-me o facto de utilizarem falsas autoridades (não-científicas) como se fossem especialistas em ciências.
Enfim… em vez de fazerem um programa sobre ciência e com pessoas que sejam de ciência, fazem um programa que só fortalece crenças pseudo, crenças anti-ciência.
Parece-me claro que o objectivo do programa não é ilucidar as pessoas, mas sim confundi-las, e levá-las por crenças pseudo-religiosas.
O episódio 9 foi sobre um caso nos Açores… em 1968! Há 40 anos atrás!
Além dos problemas referidos anteriormente com a memória das testemunhas, que relevância poderá ter um caso de há 40 anos atrás???
Ri-me quando vi o disco voador!! Oh Senhores! Leiam a história dos discos voadores para perceberem a fantochada desta forma de nave.
Quanto a histórias de luzes e não sei mais o quê, elas existem aos milhares…
Não percebi isto: então há uma luz fortissima a vir da nave, e no entanto a luz duma pequena lanterna sobrepõe-se a essa luz fortissima de modo a se ver seres lá dentro??!!! Não há uma análise crítica dos relatos??
Neste caso, só existe uma única testemunha!! Porque não incluiram aqui o depoimento do Manuel Corado a dizer que assim isto não tem validade?
Como disse o Fernando Fernandes, e com o qual estou totalmente de acordo: evidências? Nenhumas.
A testemunha diz que não era avião, nem helicóptero, nem balão. Isto vale 0! Existem milhares de experiências e relatos do género, que vai-se a ver e eram realmente aviões ou balões. Aliás, há casos de pessoas ao lado de aeroportos a afirmarem que viram algo que não era avião, porque segundo elas “eu sei o que são aviões”. Isto já para não falar novamente da experiência da SIC em Monsanto, em que as pessoas (muitas!) confundiram simples focos estacionários de luz com naves extraterrestres a passarem por cima de casa delas!! A testemunha não está a mentir; simplesmente não tem noção daquilo que vê. A nossa mente é uma coisa fantástica!
Logo, afirmarem que a testemunha disse isto, deixando no ar a ideia que isso prova que não era avião ou balão, é mais uma vez enganar a audiência.
Já o Nelson Lima Santos diz que não se deve duvidar da testemunha!!! Por defeito, à partida, deve-se acreditar piamente nos testemunhos!!!??? Se ainda dúvidas havia que o que se quer divulgar é uma simples crença religiosa, em vez de se enveredar por caminhos científicos (de cepticismo!), esta frase deitou por terra quaisquer dúvidas.
Já o outro “especialista” (de comunicação… não de ciência! para não variar…) diz que uma das evidências para se acreditar na testemunha é ela ser consistente no que diz ao longo do tempo. Certamente que não leu os capítulos de psicologia relativos à pessoa assumir algo como verdade após contar várias vezes a mesma coisa…
Já agora, o testemunho mantém-se porque não há ninguém a pô-lo em causa. Tal como disse o Nelson Lima Santos, à partida acredita-se na testemunha! Não há ninguém a pôr-lhe perguntas do género de como é que ele pode ver 4 seres apontando uma pequena lanterna contra um enorme foco de luz… Análise crítica? Para quê! A religião, a crença, não deve ser posta em causa!
O Neurologista Manuel Domingos também não interviu de forma eficiente. Como ele deveria saber, e eu disse atrás, o facto das pessoas dizerem que viram algo estranho, muitas vezes é porque realmente pensam que viram algo estranho; não são maluquinhas nem estão a mentir! Mas cientificamente, o que conta é se realmente essa coisa existiu ou não, e como já disse atrás, essas coisas estranhas afinal só são estranhas para quem não quer deslindar os fenómenos.
Como disse o biólogo Francisco Carrapiço, nada mais natural do que ser algo terreno, desconhecido. E daí que deve haver cuidado na análise. Cuidado esse que não existe neste programa. Pelo que conheço dos membros do CTEC até acho que eles analisaram convenientemente o caso. O problema é que esse trabalho é vendido no programa como sendo um trabalho de chacha, mal feito, e pseudo. O problema está realmente no programa; na divulgação pseudo destes casos.
Notem o que disseram as últimas 3 pessoas, antes do Joaquim Fernandes: afirmaram que é uma coisa desconhecida, que devemos nos congratular por ser desconhecido, porque o desconhecido é muito mais do que se conhece, etc. Este é o tipo de filosofia dos astrólogos: a ciência desconhece; a ciência não explica, mas amanhã vai encontrar. Lá está, novamente, se os Irmãos Wright, o Newton, o Galileu, etc, pensassem assim, hoje viviamos todos ainda em tendas e a ser caçados por tigres. A ciência busca respostas. E, mais cedo ou mais tarde, encontra-as. Sejam elas positivas ou negativas. Os pseudo é que decidem não dar relevância às evidências negativas, para infinitamente dizerem que é um caso inexplicável.
O Joaquim Fernandes acabou o episódio dizendo que o caso está no Livro Azul sobre casos não-identificados. Decidiu foi OMITIR as conclusões do Livro Azul (e de vários outros estudos!) sobre esses casos supostamente não-identificados. É que quando devidamente analisados, eles passam a ser identificados. Aliás, os relatórios estão abertos ao público. Mas, claro, num programa onde se quer iludir o público, é normal que essas informações sejam omitidas, deixando no ar a aura de mistério.
O facto da série continuar a parecer ter sido realizada no final dos anos 70 é também muito mau. Como já afirmei em relação às séries de ficção científica, convinha que os autores percebessem que já estamos no século XXI, que o mundo mudou, que a TV mudou, e que a exigência da audiência mudou.
Infelizmente parece que os autores do programa não mudaram e continuam presos a formatos de programas de há 30 anos atrás.
Parece-me, como já tinha dito, um TV Rural dos anos 70… mas atrasado 30 anos! Não faz sentido.
A estrutura do programa é deveras desmotivadora… não tem qualquer chama!
Além disso, revela um amadorismo confrangedor, sobretudo tendo em conta séries científicas de grande qualidade.
Além disso, faz falta no seio dos autores do programa uma avaliação objectiva. Pensam que o programa está perfeito e por isso não aceitam as críticas. Não querem que o programa melhore. As pessoas são surdas às críticas que levariam o programa para outros patamares. É sinal de pouca inteligência. É pena.
Em sentido contrário, há que perceber que apesar de todas as críticas, o programa até tem algum valor, na medida em que mostra todo um trabalho destas pessoas, durante anos. É uma forma destes investigadores mostrarem o seu trabalho, de darem uma noção histórica dos casos em Portugal, e de se perceber a investigaçao social que é feita.
O objectivo do programa é uma descrição sócio-histórica. Não é sobre o que verdadeiramente aconteceu, mas sim sobre o que as pessoas pensam que viram ou pensam que aconteceu. É uma análise sociológica! Importante, sim senhor! Mas não científica!
O estarem-se a borrifar totalmente para a ciência faz com que o programa fique a anos-luz do que poderia ser. Eu que até gosto do tema da série, noto que nesse sentido o programa tem uma qualidade muito fraca. Não tem qualidade, é uma desilusão para quem gosta destes assuntos e gosta de tentar chegar ao que realmente aconteceu. É um péssimo trabalho de divulgaçao!
Para quem gosta destas matérias, a visualização de cada episódio é uma experiência bastante penosa…
E é pena! Já que poderiam ter feito um programa realmente de qualidade.
A ideia era boa; a sua execução é um perfeito disparate!
Cientificamente, e mesmo em termos de entertenimento, o programa precisa de ser fortemente melhorado. É pena que os autores do programa não façam uma auto-crítica objectiva e percebam isso.
Não é uma série para esquecer, mas sim para ficar como exemplo sobre o que NÃO se deve fazer.
Espero que esta série acabe rápido, e que se pense noutra melhor… para bem da OVNIlogia.
Como admirador de tudo o que é OVNI, e como conhecedor de algumas pessoas competentes ligadas ao meio ovniológico nacional, fico triste por se fazer um programa que deixa bastante a desejar. Fico triste por se estar a continuar a arrastar a OVNIlogia pela lama da pseudo-ciência.
Pela ciência, contra o obscurantismo da pseudo-ciencia, e contra uma má divulgação da OVNIlogia,
09 Jun 2008 Carlos Oliveira
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