Neste dia 13 de Junho de 2008, completam-se 120 anos do nascimento de Fernando Pessoa.

O jornal “PÚBLICO” dedicou-lhe duas páginas e distribuiu um facsimile de um poema inédito, atribuído ao heterónimo Alberto Caeiro.

Com a devida vénia, transcrevo uma das versões apresentadas - são três versões, com diferenças de pormenor.

“Gosto do céu porque não creio que ele seja infinito.

Que pode ter comigo o que não começa nem acaba?

Não creio no infinito, não creio na eternidade.

Creio que o espaço começa algures e algures acaba.

E que longe e atrás disso há absolutamente nada.

Creio que o tempo tem um princípio e terá um fim.

E que antes e depois disso não havia tempo.

Porque há-de ser isto falso? Falso é falar de infinitos.

Como se soubéssemos o que são de os podermos entender.

Não: tudo é uma quantidade de cousas.

Tudo é definido, tudo é limitado, tudo é cousas.”

 

Nunca tinha relacionado Pessoa com os temas do tempo ou do espaço.

Foi uma surpresa, sobretudo pela abordagem firme: -Não creio no infinito; o tempo tem um princípio e terá um fim; antes e depois disso não havia tempo; falso é falar de infinitos.

É minha opinião que os infinitos não são mais do que uma limitação da nossa linguagem. Acho que isso se aplica também aos infinitos matemáticos que mais não serão que uma deficiência da linguagem matemática, a qual, embora poderosa, está longe de ser suficiente e perfeita.

Apesar de ter lido quase tudo o que há publicado de Fernando Pessoa, e dos seus heterónimos, não lhe conhecia esta faceta.

Ainda ficou mais o meu poeta.

Alberto