Magueijo e o Big Bang
João Magueijo é um português de sucesso!
João Magueijo é um dos mais conceituados e reconhecíveis portugueses em áreas científicas/astronómicas.
João Magueijo é Professor de Física Teórica no Imperial College of London.
Podem ler aqui uma entrevista que ele deu, em português.
Há 5 anos atrás escreveu o livro “Mais Rápido que a Luz”, editado em Portugal pela Gradiva. Podem ver aqui o livro.
Tenho as edições/versões portuguesa e americana do livro.
Gostei bastante do livro, e aconselho-o vivamente.
Já o li há vários anos, mas do que me lembra: ele dá uma excelente explicação da relatividade do Einstein, apresenta a sua proposta de teoria VSL (Velocidade da Luz Variável) e fala abertamente dos problemas (nomeadamente a falta de evidências), critica mordazmente a Teoria das Super-Cordas com algumas palavras chocantes, e ainda mais chocante é a sua crítica feroz à burocracia académica e à forma de financiamento (não sei se hoje, já mais velho, usaria os mesmos termos… independentemente de ter razão).
O João Magueijo apresenta agora uma série para o Science Channel, chamada “João Magueijo’s Big Bang”. Podem ler mais sobre a série, aqui.
Vejam agora o programa dividido em 5 partes de 9 minutos:
O que me apraz dizer do programa?
- uma das primeiras coisas que notei foi o sotaque do Magueijo… parece-me meio estranho… talvez pela 1ª linguagem dele não ser a inglesa, ou talvez porque o sotaque inglês a que estou habituado é diferente. Mesmo sem notar, eu também tenho um sotaque estrangeiro, por isso…
- a explicação do Problema do Horizonte é simplesmente genial.
- as diversas analogias utilizadas ao longo do programa são fenomenais.
- a ideia da Inflacção Cósmica (IC), no meu ver, é absurda. E penso que o Magueijo foi demasiado brando nas críticas que lhe faz. Mesmo sendo “somente” uma teoria, e apesar dele ter dito que não há confirmação observacional, para mim a própria “resolução do problema” com a ideia de expansão é ridícula. Ele poderia ter sido mais incisivo nesse ponto.
- a única analogia que não gostei foi a do gato e do rato. Não tem nada a ver. A conclusão tirada pelo Magueijo do que vê no gato-rato exemplo é uma conclusão lógica, baseada em experiências passadas e argumentos racionais. Já a conclusão tirada com a IC não é baseada em experiências passadas, e é basicamente uma ideia disparatada (na minha opinião, que não sou Físico Teórico nem Cosmólogo).
- quando ele diz que as evidências para a teoria dele (VSL) estão (ou não) no Universo, penso que fez bem ao afirmar a sua falsibilidade, mas por outro lado penso que também deveria ter sido mais incisivo. É que se critica a IC pela falta de evidências… a teoria dele sofre do mesmo. Porque não então deitar fora a VSL (como fez à IC) e começar outra?
- gostei de ver ele dizer que se a VSL não der, tem já muitas outras ideias. Óptimo! Quais são elas?
- adorei a parte de ele se mostrar como uma pessoa normal, que está com os amigos, que vai a festas, que bebe, que se diverte, e as ideias cosmológicas aparecem-lhe. Como ele disse: “as melhores ideias não me aparecem no trabalho”.
- não gostei muito da parte em que estão aquelas palavras todas a passar: “maverick”, “iconoclast”, “heretic”, “radical”. Penso que eram desnecessárias. Ele simplesmente está a fazer ciência, a fazer avançar a ciência. Toda a gente que vem nos livros de história da ciência poderia ter esses epítetos, e assim eles perdem o valor.
- gostei quando ele diz: “Não acredite em tudo que lhe dizem na escola!” E como isso é verdade…
Por fim, relembro o facto que já escrevemos um post sobre o Magueijo.
Há uns meses atrás demos a conhecer aos nossos leitores que o João Magueijo pôs em banho-maria a sua VSL, para se concentrar numa nova ideia: Velocidade do Som Variável.
Podem ler esse post, aqui.
24 Sep 2008 Carlos Oliveira
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Independentemente de a VSL poder ou não explicar o problema do horizonte, eu gosto muito da clareza com que o João Magueijo consegue transmitir as ideias e os conceitos.
Quanto às palavras que vão atravessando a imagem, bom…acho que a intenção é mesmo criar a imagem de alguém não convencional, de alguém que tem capacidade de revolucionar e de questionar.
Eu confesso que também as dispensava.
Mas, tal como tinha apreciado muito o livro, também gostei muito deste programa.
Obrigado por ter chamado a atenção para ele.
Alberto