NASA e o Sol
Há uns dias atrás falamos da teleconferência da NASA sobre o Sol. Neste post dissemos que o Sol está num período de fraca actividade que se prolongou para além daquilo que era esperado, como se pode ler no Press Release da NASA.
Também já tinhamos dito anteriormente, neste post, que é preciso ter noção que os nossos conhecimentos científicos sobre o Sol são bastante recentes e que ainda temos muito por descobrir.
Mas outras coisas sobressaíram da Teleconferência, que para os mais desatentos podem ter causado estranheza.
Por exemplo, os cientistas disseram que não podem ter certeza quando será o próximo máximo solar, que têm dúvidas sobre os ciclos solares, que não percebem bem o que estará a acontecer no interior do Sol de modo a existirem estes mínimos, que não entendem a ligação entre o actual mínimo solar, os raios cósmicos e o clima terrestre, e que até para eles foi surpreendente este mínimo actual no vento solar (o menor desde que se estuda o assunto, desde há 50 anos atrás).
A beleza da ciência está precisamente em não saber tudo.
Se é certo que esta honestidade dos cientistas pode levar algumas almas mais stressadas a preocuparem-se em demasia.
Também é certo que só esta honestidade pode levar os leitores a perceber que a ciência é mesmo assim; faz-se da descoberta, do que não se sabe. Ciência não é sinónimo de certezas; quando o fôr, morre como ciência.
Daí que só posso ficar satisfeito por estes cientistas terem assumido o que não sabem.
Estou a imaginar o relatório da sonda Ulysses: “Gastamos muitos milhões de dólares com a sonda, mas não ficamos a saber mais sobre o Sol”.
Claro que isso não verdade, como podem ler aqui.
Mas aposto que tudo isto que não se sabe, e que referi em cima, foi usado, e muito bem, como estratégia de marketing para promover o envio de mais uma sonda para estudar o Sol…
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26 Sep 2008 Carlos Oliveira
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