Lançamento em direcção à Lua (texto de Rui Barbosa):
2009-3785-m
A NASA volta à Lua com o lançamento duplo das sondas LRO e LCROSS. O lançamento teve lugar às 2132:00,100UTC do dia 18 de Junho de 2009 e foi levado a cabo por um foguetão Atlas-5/401 (AV-020) a partir do Complexo de Lançamento SLC-41 do Cabo Canaveral AFS. Neste dia existiam três janelas instantâneas para o lançamento da missão AV-020, mas a ULA (United Launch Alliance), que geria este lançamento, optou por utilizar a última janela dando assim mais tempo para que as condições meteorológicas na área melhorassem.
A manterem-se os actuais planos da agência espacial norte-americana, este pode ser o primeiro passo no regresso à Lua pelo ano de 2020. A missão da LRO e da LCROSS tem assim como objectivo preparar o regresso dos astronautas à Lua e abrir o caminho para Marte.

A sonda LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) atingiu a órbita lunar no dia 22 de Junho e assim iniciar um período de dois meses durante os quais os sistemas e instrumentos da sonda serão testados. A LRO irá também iniciar uma série de manobras que a colocarão na sua órbita operacional de 50 km de altitude da superfície lunar.
Transportando sete instrumentos, a LRO irá levar a cabo o mapeamento da superfície lunar em grande detalhe durante o primeiro ano da sua missão, seguindo-se dois anos de observações científicas.

Por seu lado, a sonda LCROSS (Lunar CRater Observation and Sensing Satellite) terá como principal objectivo responder à questão sobre a existência de água em forma de gelo na superfície lunar.
O estágio Centaur que foi utilizado neste lançamento permanecerá acoplado à sonda LCROSS até poucos minutos antes de este impactar na superfície criando uma nuvem de detritos que será atravessada pela LCROSS a caminho do seu impacto lunar. A análise desta nuvem poderá revelar mais segredos sobre a superfície da Lua, nomeadamente sobre a existência ou não de água nas zonas não iluminadas pelo Sol no interior de crateras. O impacto está previsto para o dia 9 de Outubro.


Choque na Lua (texto de José Matos):
Na próxima sexta-feira, a sonda LCROSS e o andar superior de um foguetão Atlas V que a lançou vão embater contra a Lua na zona do pólo sul.
A ideia mais uma vez é tentar ver se há água na nuvem de detritos.
Já não é a primeira vez que se manda qualquer coisa contra o pólo sul a ver se aparece água. A Lunar Prospector fez isso em 1999, mas sem sucesso. No entanto, convém referir que era uma sonda mais leve com 150 kg.
É claro que nada garante que este duplo impacto também não seja um fiasco na pesquisa de água, mas mesmo que falhe nisso, será sempre uma boa experiência para afinar conhecimentos numa série de outros domínios.
O impacto é acessível aos astrónomos amadores na América, dado que em Portugal será de dia.
Existe um grupo de discussão sobre o tema.


lcross
A 25 de Agosto de 2009, foi detectada uma anomalia na LCROSS.
Após o início de uma sessão de comunicações no dia 22 de Agosto, a equipa de operações da missão da sonda LCROSS detectou que a sonda havia sofrido uma anomalia.
Segundo os dados enviados pela sonda, a unidade interna de referência IRU da LCROSS sofreu uma falha. A IRU é um sensor usado pelo sistema de controlo de atitude da sonda para medir a sua orientação e trajectória. Esta anomalia levou o sistema de controlo de atitude da sonda lunar a alterar para o sistema de rastreio estelar STA para obter informações sobre o posicionamento do veículo e levou a que os motores da LCROSS funcionassem demasiado, consumindo assim uma quantidade substancial de combustível. As estimativas iniciais indicam que a sonda ainda possuí combustível suficiente para completar a sua missão.
Os operadores de missão da LCROSS declararam uma ‘emergência do veículo’ e foi alocado tempo adicional na rede de comunicações da Deep Space Network. A equipa levou a cabo procedimentos para mitigar o problema e foram capazes de reiniciar a IRU e reduzir o consumo de combustível. Também foram implementados procedimentos automáticos para minimizar a possibilidade de ocorrência outra anomalia com a IRU enquanto a sonda se encontra fora de contacto com o solo. Desde a reiniciação a IRU não sofreu problemas adicionais.
A equipa continuou a avaliar de forma activa a situação e está em contacto com os fabricantes da IRU e do sensor estelar para investigar a raíz do problema. Os gestores da missões permanecem optimistas em relação à missão da LCROSS referindo que esta deverá ser concluída com sucesso com um impacto na superfície lunar a 2 de Outubro de 2009.


A 9 de Outubro de 2009, a LCROSS espetou-se na Lua!
LCROSS Centaur
(cliquem sobre a imagem para a aumentarem)
Às 12:30 de Portugal, a sonda LCROSS (Lunar CRater Observation and Sensing Satellite) foi de encontro à região perto do Pólo Sul da Lua.
south pole
Cabeus é o nome da cratera onde será o impacto.
LCROSS site
Note-se que, numa primeira fase, não é a sonda que irá embater na Lua, mas sim a parte de cima do foguetão que a lançou, chamado de Centaur. A parte instrumental da LCROSS continuará a orbitar a Lua.
O Centaur vai escavar 350 toneladas de material lunar, produzindo uma cratera de 20 metros de diâmetro e 4 metros de profundidade. Muita poeira irá levantar. A LCROSS irá passar por essa poeira levantada da superfície lunar, de modo a estudá-la e tentar perceber se tem água.
Depois é que será a vez desta sonda se espectar no mesmo sítio levantando ainda mais pó para ser estudado.
Na Globo:
“A sonda LCROSS viaja com o último estágio do foguete Atlas V que a lançou. O “subfoguete”, chamado Centauro, tem quase 13 metros de comprimento. Amanhã ele vai para o sacrifício primeiro, como batedor. O alvo escolhido é a cratera Cabeus, no polo sul lunar. Quando o Centauro atingir a cratera, produzirá uma nuvem de destroços que deve conter, entre outras coisas, vapor d’água, se as teorias estiverem corretas (leia mais sobre as premissas da missão abaixo). Essa nuvem de poeira e gás será analisada por vários telescópios na Terra e mesmo pelo Hubble, mas a principal fonte de análise será a LCROSS, que vai atravessá-la.
Durante a travessia, de apenas 4 minutos, a sonda deverá ser capaz de coletar e analisar amostras dos destroços, mandando de volta à Terra sua análise química. Não há margem para titubeios: a mesma rota que vai colocar a LCROSS no curso para “furar” a nuvem fará com que a sonda também se espatife depois contra a superfície da Lua. São 4 minutos para fazer valer US$ 79 milhões.”
Vejam este vídeo narrado em português.



Em português:

“Nesta sexta, os cientistas americanos vão provocar uma explosão na Lua. Quem explica o motivo é o correspondente em Washington, Luis Fernando Silva Pinto.
O satélite L-Cross faz parte de uma missão em busca de um lugar possível para o pouso de astronautas. Em cerca de três horas, o foguete do satélite, que pesa mais de duas toneladas, vai se desprender do L-Cross.
E às 8h30 da manhã, horário de Brasília, vai atingir a Lua a quase 9 mil Km/h. O choque vai levantar poeira lunar a uma altura de quase dez quilômetros. E a luz do Sol, pela primeira vez em bilhões de anos, vai iluminar esse material.
Mas a experiência não termina aí. A agência espacial americana planejou um impacto duplo, para aumentar as chances de coletar informações.
Depois do impacto do foguete, o L-Cross vai continuar descendo em direção à Lua, colhendo imagens e transmitindo tudo para a Terra. Quatro minutos mais tarde, o satélite vai se chocar contra a mesma cratera.
Centenas de telescópios, entre eles o Hubble, no espaço, e os mais avançados da Terra, terão uma segunda chance de estudar o material dispersado pelo duplo impacto. A expectativa é detectar se há gelo em meio à poeira e verificar a existência de água abaixo da superfície lunar, para abastecer uma futura base permanente.”

Muitos milhares de astrónomos amadores por todo o mundo estão a ser convidados para tentarem visualizar esse impacto. Em vários países existem “watch parties”, festas astronómicas para as “pessoas comuns” verem o impacto na Lua. Vejam este mapa.
Eu acordei às 5 da manhã para também ir a uma dessas festas no Texas. Infelizmente está a chover! Chove 3 dias por ano… e tinha logo que ser esta noite!! Depois de um dia super-quente e cheio de Sol… :(

Mas não desesperem!
A TV já começou a dar em directo imagens disto, com comentários.
E podem ver na net, em directo, na NASA TV, clicando aqui.


A LCROSS bateu com sucesso na Lua.
camera impact
Às 15h de Portugal, a NASA fez uma Conferência de Imprensa a explicar os resultados preliminares obtidos. Pode-se ver na NASA TV.

Os cientistas estavam bastante contentes com a quantidade de dados que receberam.
Mas para os Media e para o público em geral, foi uma desilusão.
Não houve uma “grande explosão”, e ainda se vai ter que esperar alguns meses até os dados serem todos analisados, de modo a perceber-se se há moléculas de água que evidenciem um pouco de gelo num dos lados da cratera.
A falta de imagens fantásticas, também desiludiu os presentes.

As tais plumas de poeira que o impacto iria levantar… não se viram.
Vejam esta foto tirada pelo Observatório no Monte Palomar, 10 segundos após o impacto:
Palomar_ao_bouchez_10s_after_impact
Vejam as fotos e explicações, aqui.

No Público:
“Sonda e foguetão chocaram contra a Lua, mas sem o fogo-de-artifício esperado.
Devia ter sido um grande espectáculo ao romper da aurora, pelo menos na costa oriental dos Estados Unidos, e retransmitido para todo o mundo, através da NASA TV, na Internet. Mas afinal ficou tudo mais ou menos às escuras: os planos de lançar o motor gasto de um foguetão e a própria sonda LCROSS contra uma cratera lunar, para estudar sobretudo as moléculas de água que existiriam na (esperada) grande pluma de materiais que se elevaria no ar, caíram por terra. Não houve muito para ver. (…)
Os cientistas esperavam ver a pluma de materiais ejectados em telescópios a partir da Terra, e muitos astrónomos amadores tinham para lá voltado as suas lentes. Mas, afinal, o espectáculo foi muito pouco impressionante.
Não houve nenhum clarão, como se esperavam (…)
As expectativas criadas foram talvez algo exageradas pelo realismo das simulações que a agência espacial norte-americana criou para publicitar a missão e os seus objectivos (…)
Mas os cientistas obtiveram muitos dados, e estão excitados como crianças com brinquedos novos. “É fantástico” (…) “Isto vai mudar a forma como olhamos para a Lua” (…).”

Na Terra:
“A equipe da Nasa que lançou a sonda Lcross (Lunar Crater Observation and Sensing Satellite), nesta sexta-feira, afirmou em entrevista coletiva, duas horas depois da missão ser concluída, que foram coletados mais dados que o esperado, fazendo da missão um “tremendo sucesso”. “Tudo indica que obteremos grandes resultados. É um dia histórico para a Nasa”, disse Pete Worden, diretor do Centro de Pesquisa Ames da Nasa. Apesar de não ter sido possível ver uma imagem espetacular da explosão causada pelos dois impactos, como havia sido prometido pela Nasa ao público que se reuniu no museu de notícias Newseum, em Washington, para assistir imagens ao vivo da missão, a equipe diz não estar decepcionada.” (…)
“Não vou dizer se encontramos ou água ou não, mas posso dizer que estou empolgado com os dados promissores que coletamos, e que não encontramos apenas escuridão”, disse Colaprete.”

Na Galáctica:
“O impacto aconteceu como previsto. Mas o que não estava previsto era não ser ver nada. Não houve nenhum observador que com equipamentos em Terra tenha conseguido ver o que fosse, nada, mesmo nadinha.”
Leiam o resto.

Leiam mais, em inglês, aqui e aqui.





Afinal, passados 10 dias, saiu esta imagem onde podem ver a pluma feita pelo primeiro impacto, do Centaur.
LCROSS close-up
(cliquem sobre a imagem para a aumentarem)


Humor:
Obama bombs the Moon