Quer se adore,
quer se deteste…
(“Querida matemática, não sou um terapeuta. Resolve os teus próprios problemas.”)
… o mundo moderno funciona à base de elementos da Matemática: servimo-nos deles todos os dias, em casa, na escola, no trabalho, das mais inúmeras formas. Números, medidas, contas financeiras, gestão de dados, probabilidades, fórmulas, equações… todos estes termos tão conhecidos dos matemáticos são também indispensáveis na engenharia, construção, actividade bancária e financeira, medicina, estatísticas várias, cozinha, programação computacional, enfim, não há mesmo actividade que não envolva elementos e ferramentas da Matemática. Para além de ser essencial no mundo quotidiano, a Matemática fornece recursos para investigar e explorar o Universo, a Terra, a Vida e a Natureza, possuindo um papel fundamental em toda a Ciência, Tecnologia e Sociedade. Ciência dos padrões, fonte de treino mental que exercita o pensamento lógico e linguagem da própria ciência, a matemática pode ser vista como a criação de arte e de composições artísticas (que no fundo são igualmente criações de padrões). É nesta última perspectiva que o Astropt partilha com os seus leitores uma engraçada e elucidativa Poesia Matemática, de Millôr Fernandes (publicada no livro “Tempo e Contratempo“, em 1954, sob pseudónimo de Vão Gogo):
Poesia Matemática
“Às folhas tantas
do livro matemático
um Quociente apaixonou-se
um dia
doidamente
por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
e viu-a do ápice à base
uma figura ímpar;
olhos rombóides, boca trapezóide,
corpo retangular, seios esferóides.
Fez de sua uma vida
paralela à dela
até que se encontraram
no infinito.
“Quem és tu?”, indagou ele
em ânsia radical.
“Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa.”
E de falarem descobriram que eram
(o que em aritmética corresponde
a almas irmãs)
primos entre si.
E assim se amaram
ao quadrado da velocidade da luz
numa sexta potenciação
traçando
ao sabor do momento
e da paixão
retas, curvas, círculos e linhas sinoidais
nos jardins da quarta dimensão.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidiana
e os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E enfim resolveram se casar
constituir um lar,
mais que um lar,
um perpendicular.
Convidaram para padrinhos
o Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
sonhando com uma felicidade
integral e diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
muito engraçadinhos.
E foram felizes
até aquele dia
em que tudo vira afinal
monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
freqüentador de círculos concêntricos,
viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
uma grandeza absoluta
e reduziu-a a um denominador comum.
Ele, Quociente, percebeu
que com ela não formava mais um todo,
uma unidade.
Era o triângulo,
tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era uma fração,
a mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade
e tudo que era espúrio passou a ser
moralidade
como aliás em qualquer
sociedade.”
Fontes: “Científica”, 2009; imagens retiradas da internet; especial agradecimento à leitora Mirian Bueno por ter dado a conhecer ao Astropt esta Poesia Matemática de Vão Gogo!











31 comentários
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Mirian Martin disse:
07/07/2011 em 21:49 (UTC 1)
E a matemática é, desde que me conheço por mulher, a essência de tantas coisas, como por exemplo, a receita de um bom strogonoff de frango passado por telefone (antes teve-se que digitar o número), para que o filhote, de 15 anos (que nada mais é do que o produto de dois gametas no período de aproximadamente 15×365 dias), que dizia-se morrer de fome, uma vez que já era quase meio-dia, ou aproximadamente 12 horas.
Agora, passar receita para um homem… Jesus amado! “Uma colher cheia, mais ou menos cheia, ou rasa?” “‘Quanto é uma pitada?” E por aí vai. Santa Matemática…
Ana Guerreiro Pereira disse:
07/07/2011 em 22:25 (UTC 1)
É verdade, Mirian! Não há cozinheiro que não recorra à Matemática! Aliás, toda a Cozinha é um laboratório e todo o cozinheiro acaba por estar a “fazer” ciência Porque o que é cozinhar senão transformar matéria, usar formas de energia…química, física, biologia, matemática… está lá tudo, na cozinha! Engraçado é que muitos cientistas sejam péssimos cozinheiros ehehehe (brincadeira)
Marina Frajuca disse:
07/07/2011 em 22:01 (UTC 1)
Ana, é delicioso…
Ana Guerreiro Pereira disse:
07/07/2011 em 22:20 (UTC 1)
Marina, o poema é mesmo delicioso, não é?
E foi ali a Mirian que no-lo mostrou
Grande Mirian, grande Millôr 
Marina Frajuca disse:
07/07/2011 em 22:26 (UTC 1)
Por falar em cozinha, tenho uma receita deliciosa. Não tem muito a ver com o teu poema, mas está tão divertida, não sei se deva colocar aqui…
Ana Guerreiro Pereira disse:
07/07/2011 em 23:04 (UTC 1)
Coloca, claro! Afinal estavamos a falar de a Cozinha tb ser Ciência
Marina Frajuca disse:
07/07/2011 em 23:27 (UTC 1)
Mas receio ser disparatado…lol
Ana Guerreiro Pereira disse:
07/07/2011 em 23:42 (UTC 1)
Se for, o Carlos dá-nos com o chicote…
Brincadeira, claro!!!
Nada disso, partlha!!! Agora fiquei curiosa! ;D
Carlos Oliveira disse:
07/07/2011 em 23:56 (UTC 1)
sim, envia para depois a Ana me fazer a receita… se fôr doce, eu como
Marina Frajuca disse:
07/07/2011 em 23:57 (UTC 1)
Bom aqui vai…
RECEITA FRANGO COM WHISKY…
Ingredientes:
- 1 garrafa de whisky (do bom claro!)
- 1 frango de aproximadamente 2 quilos
- sal, pimenta verde a gosto
- 350 ml de azeite de oliva extra virgem
- nozes moídas
Modo de preparar:
- Pegue o frango
- Beba um copo de whisky
- Envolver frango e temperar com sal, pimenta e cheiro verde a gosto.
- Massajá-lo com azeite.
- Mais um bom trago de whisky.
- Pré -aquecer o forno por aproximadamente 10 minutos.
- Sirva-se de uma boa dose (caprichada) de whisky enquanto aguarda.
- Use as nozes moídas como ‘tira gosto’.
- Colocar o frango em uma assadeira grande.
- Sirva-se de mais duas doses de whisky.
- Axustar o terbostato na marca 3 , e debois de uns vinch binutos, botar
para assassinar. – digu: assar a ave.
- Derrubar uma dose de whisky debois de beia hora, formar abaertura e
gontrolar a assadura do frango.
- Tentar zentar na gadeira, servir-se de uoooooooootra dose sarada de
whisky.
- Cozer(?), costurar(?), cozinhar, sei lá, voda-se o vrango.
- Deixáááá o filho da buta do pato no vorno por umas 4 horas.
- Tentar retirar o vrango do vorno – num vai guemar a mão, garaio!
- Tentar novamente tirar o sacana do vrango do vorno, porque na primeira
teenndadiiiva dããão deeeeuuuuuu.
- Begar o vrango que gaiu no jão e enjugar o filho da buta com o bano de jão e cologá-lo numa pandeja ou qualquer outra borra, bois avinal você nem gosssssssssta muito dessa bosta mesmo.
- Bronto!
Carlos Oliveira disse:
08/07/2011 em 00:00 (UTC 1)
Ana Guerreiro Pereira disse:
08/07/2011 em 01:05 (UTC 1)
LOLOLOLOLOLOOOOOOL
Marina, tá demais! 
Tenho pena por ti, Carlos, eu não bebo uísque…
Devanil disse:
07/07/2011 em 22:50 (UTC 1)
Nossa, fazer poesia da matemática é de brilhar os olhos *-*
A primeira imagem é muuito bem bolada
______
http://www.devanil.com
Ana Guerreiro Pereira disse:
07/07/2011 em 23:09 (UTC 1)
Devanill, é mesmo!!! E logo poesia matemática assim, tão boa, tão…matemática! É arte! Grande Millôr, mesmo!
Existem muitas brincadeias que envolvem a matemática; costumo encontrar algumas aqui: http://www.humornaciencia.com.br/blog/category/matematica/ Bom proveito (se é que não conheces já o blogue lol)!
Marco Filipe disse:
08/07/2011 em 21:03 (UTC 1)
Só faltou este cartoon: http://i36.tinypic.com/o8dsg6.jpg
Ana Guerreiro Pereira disse:
10/07/2011 em 13:09 (UTC 1)
Marco, ahahhaha, espectacular!
Sandra Cadima disse:
09/07/2011 em 12:33 (UTC 1)
Ana, ADOREI! Bjokas
Ana Guerreiro Pereira disse:
10/07/2011 em 13:09 (UTC 1)
Ana Guerreiro Pereira disse:
02/08/2011 em 23:31 (UTC 1)
A propósito da matemática, a Scientific American traz-nos: http://www.scientificamerican.com/article.cfm?id=why-math-works&WT.mc_id=SA_facebook
Rodovalho disse:
01/09/2011 em 14:13 (UTC 1)
Está giro o poema, embora matematicamente (ou pitagoricamente) incorrecto.
“Sou a raiz da soma dos quadrados dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa.”
Ficava mais bonito
Ana Guerreiro Pereira disse:
01/09/2011 em 21:15 (UTC 1)
Continua a ser uma soma. Não está incorrecto, está antes incompleto.
mais bonito não sei se ficaria, por alguma razão o Millor Fernandes se decidiu a excluir a raiz do verso
. Talvez porque não achava bonito 
alessandro disse:
01/12/2011 em 11:41 (UTC 1)
é essa foi boa de mais m.deliciosa
Ana Guerreiro Pereira disse:
31/01/2012 em 12:18 (UTC 1)
Alessandro, é não é?
Matheus disse:
31/01/2012 em 02:42 (UTC 1)
Passando para conhecer o blog, muito bom e com ótimo conteúdo!!
Ana Guerreiro Pereira disse:
31/01/2012 em 12:20 (UTC 1)
Em nome de toda a equipa, obrigada!
Abraços!
Matheus disse:
31/01/2012 em 02:43 (UTC 1)
Parabéns pelo espaço!!
Ana Guerreiro Pereira disse:
31/01/2012 em 12:19 (UTC 1)
Olá, em nome de toda a equipa do AstroPT, obrigada!!!
Ficamos contentes por ter gostado e ter encontrado um espaço à sua medida. 
Matheus disse:
31/01/2012 em 23:39 (UTC 1)
Muito bom!!! Perfeito!!
Ana GP disse:
28/03/2012 em 16:33 (UTC 1)
É com muita tristeza que digo que Millor Fernandes faleceu dia 27de Abril de 2012.
Tinha 88 anos e deixa o mundo mais pobre 
Carlos Oliveira disse:
01/04/2012 em 10:00 (UTC 1)
Ana,
Como faleceu a 27 de Abril de 2012, quando o teu comentário foi a 28 de Março de 2012?
És vidente?
Ou ele faleceu a 27 de Março de 2012?
abraços
Ana GP disse:
02/04/2012 em 13:48 (UTC 1)
LOL
enganei-me, como está mais do que claro. 
Queria escrever Março, não sei pq me saiu Abril… pergunte-se a Freud. :p