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Jul 13

Mudança de Foco na Quântica do Séc. XX

Unificar pode ser conveniente pela sua simplificação. Quando se identifica um acontecimento a ciência tenta descrevê-lo por meio de um sistema de coordenadas. Assim, “a função da física é produzir uma representação da realidade” Mario Novello

A partir da interpretação de Copenhaga, na primeira metade do século XX, começou a aceitar-se uma organização do mundo em nível microscópico, focando a posição e a velocidade. As propriedades dos corpos ficou para segundo plano. Passou a enfatizar-se mais a observação. Assim, a realidade quântica passou a ser descrita como uma medida resultante de uma observação e requer um observador externo. É impossível definir um observador externo.

Como a abordagem de um observador externos, pelo princípio de Copenhaga, é impossível e no contexto quântico o observador deverá estar no exterior, não é possível a união entre a cosmologia e a quântica.

Entretanto surgiram propostas alternativas. David Bohm apresentou uma extensão das ideias de Louis de Broglie.

A aplicação das ideias de Bohm mostraram-se importantes para a união entre o universo gravitacional e o mundo quântico. Esta interpretação admite as características como sendo alterações na estrutura da geometria do espaço. Desta forma , pode-se entender as estranhas propriedades das partículas quânticas como uma alteração na geometria do tecido do cosmos.

Nos anos 30, o princípio da incerteza desmantelou esta concepção da realidade, mostrando que não se pode conhecer em simultâneo a posição e a velocidade de uma partícula.

Se um campo tivesse, e mantivesse, um valor evanescente, conheceríamos o seu valor – zero – e também a sua taxa de mudança – zero. Contudo, de acordo com o princípio da incerteza, é impossível que ambas as propriedades estejam definidas. Ou seja, se um campo tem um valor definido, o princípio da incerteza diz-nos que a taxa de mudança é aleatória. Os campos sofrem flutuações de vácuo.

O princípio central da relatividade geral de Einstein, de que o espaço e o tempo constituem uma forma geométrica que se curva gentilmente, colide com o princípio central da mecânica quântica, o princípio da incerteza, que implica um ambiente turbulento às mais pequenas escalas. Esta nova abordagem implica um espaço-tempo quadridimensional de geometria pseudoeuclideana.

Há, pelo menos, duas razões para reconciliar o antagonismo entre a relatividade geral e a mecânica quântica:

Primeira: Dividir o universo em dois reinos separados parece quer artificial, quer desastrado. Para muitos, trata-se de um indício de que tem de haver uma verdade mais profunda e unificada que ultrapasse o abismo entre a relatividade geral e a mecânica quântica.

Segundo: Embora a maior parte das coisas sejam grandes e pesadas ou pequenas e leves, isto não é verdade para todas as coisas. Os buracos negros são um bom exemplo. O centro de um buraco negro é simultaneamente imensamente pesado e icrivelmente pequeno.

 

Fontes : Scientific American

O Tecido do Cosmos, Brian Greene

Acerca do autor(a)

Dário S. Cardina Codinha

Frequentou o Mestrado Integrado em Engenharia Biológica na Universidade do Algarve e o curso de Biologia Celular e Molecular na Universidade Nova de Lisboa. Presidiu ao Núcleo de Engenharia Biológica da Universidade do Algarve.Manteve o blog Universo Paralelo que está a dormir desde 2010. Apaixonado pela escrita criativa, sátira e humor.Luta constantemente contra ideias falaciosas e teorias erradas. A realidade é explicada por um mecanismo chamado ciência e ela merece ser respeitada e seguida.Desde os 11 anos que lê notícias sobre o Universo e recebeu, aos 13 o livro Cosmos, de Carl Sagan, que devorou. A partir daí coleccionou artigos e livros científicos. Gosta de divulgar ciência da vida (área académica) e ciência espacial (área de paixão). De vez em quando "saca" algumas sebentas para se manter actualizado.

1 comentário

  1. Nuno José

    Mas o buraco negro parece seguir as regras do mundo quantico

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