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Mar 22

Educação sem luz

Uma escola em Montemor-o-Velho teve a ideia muito pouco lúcida de melhorar os resultados dos alunos utilizando a ideia sem nexo do fosfenismo.
A incrivelmente ridícula ideia diz que se uma pessoa olhar para uma luz durante algum tempo, e pensar num determinado aspecto (ex: aprender matemática), então vai conseguir transformar a energia da luz em energia cerebral matemática (neste caso).

Enfim… são os “resultados milagrosos” da “tudoterapia” – qualquer treta que se invente e que se engane as pessoas dizendo que é uma terapia credível.

“Os ecos chegaram à Escola Básica do 2.º e 3.º ciclos de Arazede (freguesia rural do concelho de Montemor-o-Velho), que decidiu esta ano aplicar esta técnica alternativa, que não está aprovada pela autoridades de saúde, a alunos com dificuldades de aprendizagem e de comportamento. Ontem, já depois de ter sido contactada pelo PÚBLICO, a escola suspendeu a experiência.
Os seus seguidores afirmam que o fosfenismo, desenvolvido pelo médico francês Francis Lefebure, permite “amplificar as capacidades cerebrais”, melhorar a memória, o comportamento e as notas escolares. Para além de ser “repousante”. Isto alcança-se através do que chamam a “conjugação fosfénica” – a associação de um pensamento a um determinado tipo de luz ou, mais precisamente, às manchas coloridas que se obtêm depois de se fixar uma fonte luminosa, os chamados fosfenos.
Para se obter os efeitos desejados, acrescentam, a fonte luminosa em causa terá de ser uma lâmpada opaca branca de 75 w, especificamente criada para o efeito: a lâmpada fosfénica, que se compra através das associações ligadas ao movimento, com preços que vão de 32 a 228 euros.
À escola de Arazede, que tem cerca de 300 alunos, a ideia chegou em 2010, pela mão de um dos seus professores. (…)
Para a chamada conjugação fosfénica é preciso que o aluno se sente a curta distância de uma lâmpada e que a fixe durante curtos períodos de tempo. Depois apaga-se a lâmpada e surgem os fosfenos: manchas luminosas que variam de cor, de amarelo a azul. Os pensamentos que devem ser mobilizados em simultâneo são distintos consoante as disciplinas em que os alunos têm dificuldades. Se for Matemática, pensa-se numa fórmula, se for Português, numa palavra ou numa construção gramatical, etc.”
Leiam o artigo no Público.

Acerca do autor(a)

Carlos Oliveira

Carlos F. Oliveira é astrónomo e educador científico. Licenciatura em Gestão de Empresas. Licenciatura em Astronomia, Ficção Científica e Comunicação Científica. Doutoramento em Educação Científica com especialização em Astrobiologia, na Universidade do Texas. Criou e leccionou durante vários anos um inovador curso de Astrobiologia na Universidade do Texas. É actualmente Research Affiliate-Fellow em Astrobiology Education na Universidade do Texas em Austin, EUA. Trabalhou no Maryland Science Center, EUA, e no Astronomy Outreach Project, UK, recebeu dois prémios da ESA, e realizou várias palestras e entrevistas nos media.

5 comentários

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  1. Jaculina

    Estes professores, que certamente serão uma minoria, são a vergonha da classe.

  2. Paulo

    Pois…nota-se que esta técnica também é seguida pelos últimos governos em Portugal e os resultados são os que todos nós estamos a sentir no pêlo! Lamentávelmente só os terceiros é que sofrem os efeitos da terapia; os idiotas responsáveis continuam bem na vida…

  3. Cavalcanti

    (risos)

    Gostei da expressão ““tudoterapia”, Carlos. :P Até já conseguimos visualizar alguns aspetos desta faz algum tempo em alguns sítios na blogosfera…

    ;)

    Abraços.

  4. Alexandre V

    Ideia só superada pelas bandoletes quânticas :)

  5. Walker Pt

    Fiquei estupidificado com a noticia e pelos vistos querem mais gente assim, lampadazinha especial só se for por causa do preço 228€, agora a sério onde se compra a lampada quero aprender os próximos números do euromilhões ;)

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