Sabe-se que a Terra teve água no estado líquido na sua superfície praticamente desde que se formou.
Sabe-se também que o Sol vai gradualmente aumentando de intensidade e que na altura da formação da Terra, a energia solar que chegava à Terra era de somente 70% da actual.
Combinando estes dois dados, então temos um paradoxo: o Paradoxo do Fraco Jovem Sol. Tendo em conta o fraco Sol da altura, não deveria ser possível haver água no estado líquido na superfície terrestre.
Este problema foi popularizado por Carl Sagan e George Mullen em 1972.
Existem várias possíveis alternativas para resolução do paradoxo, como por exemplo, o efeito-estufa inicial.
No passado dia 10 de Abril, David Minton, da Universidade Purdue, numa conferência no Space Telescope Science Institute, deu mais uma possível solução para este paradoxo.
Ao contrário do que se pensa, devido à nossa noção limitada de tempo humano, os planetas não ficam constantes nas suas órbitas durante milhões de anos. Os planetas extrasolares reforçam esta ideia (sobretudo os Júpiteres Quentes), com as suas órbitas que nos permitem ver que migram entre locais (até Neptuno migrou, no nosso sistema solar).
No início do sistema solar havia várias e tremendas colisões entre os muitos objectos que existiam nessa altura no sistema solar.
Simulações de computador feitas por Minton mostram que poderá ter havido nessa altura uma colisão de um planeta com 75% da massa da Terra com Vénus. Uma das consequências teria sido “empurrar” o planeta Terra para uma órbita mais distante.
Esta ideia, que me parece plausível e apelativa, diz-nos então que há cerca de 3 mil milhões de anos, o planeta Terra estaria mais perto do Sol – cerca de 10 milhões de kms mais perto. Após a colisão de Vénus com um outro planeta, então a Terra terá migrado para mais longe do Sol (a sua posição actual).
O problema é que a ideia parece-me tirada das ideias de Velikovsky, e não há qualquer evidência de um impacto “mortal” em Vénus há tão pouco tempo (3 mil milhões de anos atrás). Mas explicaria porque a geologia de Vénus parece jovem…
Convertendo esta ideia para o futuro, teremos um Sol muito mais forte e maior dentro de alguns milhares de milhões de anos. Nessa altura, Mercúrio, em vez de ser engolido pelo Sol, poderá ser expelido, e a seguir é um jogo de snooker. Algumas simulações mostram que Vénus irá colidir com a Terra, e que Marte irá migrar para mais longe do Sol, tornando-se Marte o sítio onde os Humanos quererão viver…








16 comentários
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Xevious
22/04/2012 em 04:49 (UTC 1) Link para este comentário
Falando sobre Mercúrio, eu discordo da teoria atual, sobre porque Mercúrio seja tão massivo.
A atual diz que foi uma colisão também que causou isso.
O pessoal adora dizer que colisões são as explicações pras coisas, falam isso da também Lua, mas essa é outra história.
Acredito que Mercúrio tenha sido um planeta bem maior, gasoso e com um núcleo denso.
E ele pode ter passado dentro do Sol, num momento em que temporariamente o Sol teria se expandido.
Já foi encontrado planetas extrasolares assim semelhantes a Mercúrio, pequenos, densos e próximos ao Sol.
E se chegou a conclusão que eles eram assim pequenos e densos, por em algum momento terem passado por dentro das estrelas deles.
Pode-se ter a idéia que se um planeta ficar muito próximo ao Sol ele seria engolido por ele.
Mas oq ocorre é que uma estrela pode perder força gravitacional ou perder calor no núcleo e expandir, a parte mais externa seria pouco densa.
Nesta situação um planeta pode continuar orbitando a estrela mas pasar por dentro das partes mais externas.
Carlos Oliveira
22/04/2012 em 04:55 (UTC 1) Link para este comentário
Mas… qual é o planeta extrasolar a quem aconteceu isso e que está à distância da estrela que Mercúrio está do Sol?
E porque a estrela iria expandir?
Xevious
22/04/2012 em 06:08 (UTC 1) Link para este comentário
Sobre o exoplaneta, aqui que foi aqui => http://www.youtube.com/watch?v=6Z_ZoWHFyy8
A probabilidade maior para uma estrela expandir e ter absorvido uma grande quantidade de gas interestelar.
Outro motivo seria uma diminuição da atividade do núcleo, ou uma obstrução do calor entre o núcleo e a superfície.
Carlos Oliveira
22/04/2012 em 14:49 (UTC 1) Link para este comentário
Os planetas de KOI-961 estão muito mais perto da estrela que Mercúrio, logo não se pode comparar em termos de distâncias dizendo que o mesmo aconteceria
http://en.wikipedia.org/wiki/KOI-961
Quanto à expansão da estrela, penso que está a confundir expansão do núcleo com a expansão da estrela per se
abraços
Xevious
23/04/2012 em 12:12 (UTC 1) Link para este comentário
KOI-961 esta mais próxima da estrela doq Mercúrio, mas também a estrela é muito menor doq a nossa.
Agora me diga Carlos, ainda acha mais lógico que a massa superficial de Mercúrio tenha sido retirada graças a uma colisão?
Eu nem consigo imaginar um fenômeno que desse esse resultado, apartir de uma colisão.
Me parece que a ação abrasiva das áreas mais superficiais do Sol, retirar a massa superficial de Mercúrio, é muito mais lógico.
Quanto a questão do Núcleo, parece que me confundi mesmo, para que a estrela expanda ele deve ser mais ativo e não o contrário.
Carlos Oliveira
23/04/2012 em 17:39 (UTC 1) Link para este comentário
Continuo sem entender… porque a “massa superficial de Mercúrio foi retirada”?
Xevious
23/04/2012 em 17:48 (UTC 1) Link para este comentário
Esta já não é uma afirmação minha, eu só discordo dos motivos.
Chegaram a conclusão que a maioria da massa menos densa e mais superficial teria sido retirada de Mercúrio, e oq vemos agora é oq foi seu núcleo antigamente.
Isto explicaria sua elevada densidade e forte presença de Ferro também.
Ah, Calos, seria uma boa dar um aviso em relação ao Rio+20, agora da pra todos participarem, mais detalhes aqui => http://forum.intonses.com.br/ecologia-f45/agora-pessoas-comuns-poderao-participar-rio-virtualmente-t139374.html
Carlos Oliveira
23/04/2012 em 18:26 (UTC 1) Link para este comentário
ahhhhhhhhh penso que isso é somente uma hipótese… tendo em conta o que temos visto noutros sistemas planetários.
Mas penso que a outra hipótese é que se terá formado assim, com os elementos mais pesados próximos da estrela, como nos diz a teoria.
Ou seja, penso que para Mercúrio não existe essa conclusão… ainda.
Penso eu, como lhe disse. Mas sem certezas da minha parte…
Obrigado pelo aviso! Depois coloco um post sobre isso
Diana Barbosa
23/04/2012 em 12:37 (UTC 1) Link para este comentário
Mas os fósseis mais antigos têm sensivelmente 3,5 mil milhões de anos…como é que o David Minton concilia as duas coisas?
Carlos Oliveira
23/04/2012 em 17:42 (UTC 1) Link para este comentário
Mas isso era vida simples…
E nota que as condições se mantém mais ou menos constantes… já que à medida que o Sol fica mais forte, a Terra afasta-se….
É sobre isto que perguntaste?
Diana Barbosa
23/04/2012 em 21:22 (UTC 1) Link para este comentário
Se bem percebi, antes desse “empurrão” não haveria água líquida, certo?
Sem água, não há estromatólitos e estes têm mais de 3 milhões de anos.
E não são os primeiros organismos, são só os primeiros de que há registo fóssil.
Carlos Oliveira
23/04/2012 em 21:26 (UTC 1) Link para este comentário
Sim, haveria porque o planeta estava mais perto e o Sol estava mais fraco. Logo, as condições à superfície seriam semelhantes.
Pelo menos, foi assim que percebi a ideia…
Diana Barbosa
23/04/2012 em 21:36 (UTC 1) Link para este comentário
OK, percebi mal
Diana Barbosa
26/04/2012 em 20:45 (UTC 1) Link para este comentário
Por coincidência, o Steven Novella escreveu sobre este tema no seu blog…embora com uma perspectiva diferente:
http://theness.com/neurologicablog/index.php/the-faint-young-sun-paradox/
Pelos vistos os criacionistas gostam de usar este paradoxo para dizer que a Terra é novinha…mesmo que para isso “usem” evidências de rochas com milhões de anos
:p
Xevious
23/04/2012 em 18:36 (UTC 1) Link para este comentário
Eu vi a teoria (que considero obsoleta) sobre a explicação de porque Mercúrio é tão massivo num documentário.
Mas tem essa mesma explicação na WIkipédia.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Merc%C3%BArio_(planeta)
O núcleo de Mercúrio tem um teor de ferro maior que qualquer outro planeta no Sistema Solar, e várias teorias foram propostas para explicar esta característica. A mais amplamente aceita sugere que Mercúrio tinha originalmente uma razão metal/silicato similar a meteoros condritos, considerados como matéria-prima do Sistema Solar, e uma massa aproximadamente 2,25 vezes a atual.[19] Entretanto, no início da história do Sistema Solar, o planeta pode ter sido atingido por um planetesimal de aproximadamente um sexto de sua massa e várias centenas de quilômetros.[19] Este impacto pode ter removido grande parte da crosta e manto original, deixando o núcleo como o componente majoritário.[19] Um processo similar foi sugerido para explicar a formação da Lua (ver Big Splash).[19]
Obs. Também discordo desta teoria de formação da Lua, mas este é outro assunto.
Carlos Oliveira
23/04/2012 em 19:30 (UTC 1) Link para este comentário
Pois… concordo que as colisões andam-se a tornar uma “moda” para o que não se consegue explicar na prática…