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Abr 30

Supernovas ajudaram na evolução da vida na Terra?

pleiades
(estas são as Pleiades, M45, um enxame de estrelas, onde as de maior massa explodiram como supernovas, quando na Terra a vida que existia era dominada por amonites no oceano. A taxa de supernovas poderá ter afectado enormemente a evolução da vida na Terra)

“Uma pesquisa feita por um físico dinamarquês sugere que a explosão de supernovas perto do Sistema Solar influenciou fortemente o desenvolvimento da vida. (…)
Quando as estrelas de grande massa esgotam o seu combustível e chegam ao final das suas vidas, explodem como supernovas, explosões tremendamente poderosas que durante um breve período apresentam um brilho superior ao de toda uma galáxia de estrelas normais. Os remanescentes destes acontecimentos dramáticos libertam também grande quantidades de partículas de alta energia, conhecidas como raios cósmicos galácticos (GCR). Se uma supernova estiver suficientemente perto do Sistema Solar, o aumento dos níveis de GCR pode ter um impacto directo sobre a atmosfera da Terra.
O Prof. Svensmark observou dados geológicos e astronómicos, através de 500 milhões de anos no passado, e considerou a proximidade do Sol às supernovas, no seu movimento em torno da nossa Galáxia. (…)
Comparando isto com o registo geológico, descobriu que a variação na frequência de supernovas próximas parece ter moldado fortemente as condições de vida na Terra. Quando o Sol e os seus planetas visitaram regiões com mais formação estelar na Via Láctea, onde as estrelas que explodem são mais comuns, a vida prosperou. O Prof. Svensmark realça, no artigo, que: “A biosfera parece conter um reflexo do céu, em que a evolução da vida espelha a evolução da Galáxia.”
O novo trabalho parece ter conseguido explicar muito bem a diversidade da vida, ao longo dos últimos 500 milhões de anos, pela tectónica que afecta o nível do mar em conjunto com as variações na taxa de supernovas. Para obter estes resultados sobre a biodiversidade, o estudo seguiu a evolução dos fósseis mais bem conservados, que são os de animais invertebrados do mar, como camarões e polvos, ou as trilobites e os amonites já extintos. (…)
(…) o clima frio associado a taxas elevadas de supernovas implica uma maior variedade de habitats entre as regiões polares e equatoriais, enquanto as associadas tensões de vida impedem os ecossistemas de se tornarem demasiado ajustados. E observa ainda que grande parte dos períodos geológicos parece começar e terminar com uma subida ou uma queda na taxa de supernovas. As alterações nas espécies típicas que definem um período, na transição para o seguinte, poderiam, então, ser o resultado de uma grande alteração no ambiente astrofísico. (…)
Embora a nova análise sugira, talvez surpreendentemente, que as supernovas são em geral boas para a vida, as taxas elevadas de supernovas podem trazer o clima frio e mutável de prolongados períodos glaciais, com efeitos adversos. Os Geocientistas há muito se intrigam com as numerosas e relativamente breves quedas do nível do mar, em 25 metros ou mais, que aparecem em perfis sísmicos como praias erodidas. O Prof. Svensmark descobriu que são o que se pode esperar quando o arrefecimento devido a supernovas próximas provoca períodos glaciais de curta duração. Com a água congelada temporariamente retida em terra, o nível do mar desce.
(…) “A ligação com a evolução é o ponto mais alto deste trabalho”.”

graph life supernova

Leiam o artigo completo, no Portal do Astrónomo.
Leiam em inglês na Royal Astronomical Society e na Astrobiology Magazine.

Acerca do autor(a)

Carlos Oliveira

Carlos F. Oliveira é astrónomo e educador científico. Licenciatura em Gestão de Empresas. Licenciatura em Astronomia, Ficção Científica e Comunicação Científica. Doutoramento em Educação Científica com especialização em Astrobiologia, na Universidade do Texas. Criou e leccionou durante vários anos um inovador curso de Astrobiologia na Universidade do Texas. É actualmente Research Affiliate-Fellow em Astrobiology Education na Universidade do Texas em Austin, EUA. Trabalhou no Maryland Science Center, EUA, e no Astronomy Outreach Project, UK, recebeu dois prémios da ESA, e realizou várias palestras e entrevistas nos media.

3 comentários

  1. abidos

    Parece ainda ter demasiadas variáveis desconhecidas para se ter a certeza… provar que as pequenas eras glaciares são consequência de Supernovas não será fácil…
    Uma dúvida: Os tais raios cósmicos galácticos ou os raios solares, deixam algum registo geológico ‘directo’ na Terra?
    (como por exemplo o irídio para os cometas)

    Abraços

  2. Xevious

    Os raios cósmicos são radiações de diversos tipos e podem causar mutações, acredito que estes períodos com super-novas tenha acelerado o surgimento de novas espécies.

    Atraves deste fato se deriva em outro.
    Que em planetas próximos a relativamente grandes quantidades de energia cósmica a evolulção das espécies ocorreria em rítimo desenfreado por todo ciclo de vida do planeta.

    Portanto o surgimento de espécies inteligêntes poderiam acontecer numa incidência maior em planetas mais próximos ao centro da galáxia.

    Mas ainda não conseguimos localizar um exoplaneta assim tão lonje.

  3. Diana Barbosa

    Tenho algum cepticismo em relação a esta correlação…não porque ache que não pode ser possível, mas porque usar um só grupo de seres vivos não é necessariamente representativo da biodiversidade terrestre (mas sim da biodiversidade daquele grupo)…

    É também curioso que na notícia falem em fósseis de polvos, que não têm estruturas rígidas que fossilizem :p

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