Ágora (Alexandria) é um filme que conta a história da filósofa e professora Hipátia, que viveu em Alexandria, no Egito, entre os anos 360 e 415, sob o domínio romano.
O filme centra-se bastante na rivalidade entre ciência e religião.
Ágora é o nome grego dado ao local onde as pessoas se reuniam para discutirem vários assuntos, aprenderem, e participarem em espetáculos culturais.
Era um espaço de cidadania, um símbolo de democracia.
Hipátia é professora de filosofia, matemática e astronomia na Escola de Alexandria, junto à Biblioteca de Alexandria.
Hipátia foi uma pessoa que tentou defender o conhecimento que vinha da antiguidade clássica, tentando prevenir a destruição da Biblioteca de Alexandria.
Enquanto as 3 fações religiosas (Cristianismo, Judeus, e Politeísmo) se gladiavam, Hipátia defendia a tolerância e paz entre todos, dizendo que existe mais que os unia do que dividia.
Hipátia era uma mulher diferente das mulheres da altura: apesar de ter vários pretendentes, ela não queria casar, mas sim dedicar-se somente à filosofia, matemática e astronomia. Ela queria dedicar-se à ciência, ao estudo da natureza.
O principal problema que ela quer resolver é o do movimento da Terra em redor do Sol (nota: ela quer resolver isto, mais de 1000 anos antes de Copérnico, Galileu e Newton).
Ela argumenta que o modelo geocentrico (defendido pelo Cristianismo) está errado.
Hipátia talvez tenha defendido órbitas elípticas ao redor do Sol… 1200 anos antes de Kepler fazer essa revolução no pensamento.
Alexandria foi o centro da cultura mundial durante quase 700 anos. A imponente e grandiosa Biblioteca de Alexandria continha praticamente todo o saber da Antiguidade.
Alexandria vive um período de guerras entre religiões: além do judaísmo e da cultura greco-romana (com numerosos deuses), Alexandria também inclui o cristianismo, que passou de religião intolerada para religião intolerante.
A propensão para religiões era normal: existiam muitas pessoas pobres e ignorantes, o que se torna um local propenso para facilmente se vender sonhos, mitos, magia, pseudo-ideias e religiões.
O Cristianismo gradualmente foi-se tornando a religião dominante e dominadora. Os Cristãos vão tomando o poder em diversos sectores. O líder cristão Cirilo passa a dominar a cidade e inicia uma campanha contra Hipátia e contra o conhecimento.
A Biblioteca foi destruída, porque “o conhecimento era perigoso”.
Hipátia consegue salvar alguns documentos, mas poucos.
Hipátia era mulher, por isso não poderia ter ou querer conhecimento; ela tinha que se submeter aos homens.
Neste tipo de ambiente, Hipátia é proibida de ensinar.
Como ela se recusou a converter ao Cristianismo, foi acusada de insubordinação, ateísmo e bruxaria (o que eram pecados contra a Bíblia). O julgamento foi uma farsa. A sentença foi o apedrejamento.
Hipátia foi arrastada pelas ruas da cidade, apedrejada e torturada. Cirilo e o resto dos cristãos fervorosos assassinaram Hipátia. Depois de morta, lançaram o seu corpo para uma fogueira.
Ágora (Alexandria) é um filme que nos conta um dos períodos mais negros e mais vergonhosos da Humanidade, na sua luta contra o conhecimento.
4 comentários
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Pessoal, eu fiz um vídeo sobre a filósofa em meu canal no Youtube, e chama-se “Hipátia de Alexandria, feminismo e liberdade de expressão”. Quem quiser, só entrar aqui e dar uma conferida: http://youtu.be/sWPQJpfUL0s
Existe um certa polêmica sobre a destruição da Biblioteca da Alexandria, uns opinam que foi as tropas de Julio Cesar, outros que foram os cristãos em 391 e por ultimo, mas menos provável, que foram os árabes. Como gosto muito de História espero que este mistério seja resolvido um dia.
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Está-se a referir a alturas diferentes 😉
Excelente filme…
Curiosamente, todos sabem que a Biblioteca de Alexandria ardeu, mas poucos sabem porquê, e por quem…
Se os autores do crime tivessem sido outros, tenho a certeza que toda a gente sabia…
Abraços
[…] desses massacres culturais existiu quando a Biblioteca de Alexandria foi destruída por esses crentes fundamentalistas. E, neste momento na leitura, podemos estar a pensar que essas […]
[…] tinha proposto que a Terra girava sobre o seu eixo e orbitava o Sol. 5 séculos mais tarde, Hipátia tentou demonstrar o mesmo, com órbitas elípticas (e não circulares) e com experiências de […]
[…] menos, que a política compromete o desenvolvimento da ciência. Não é só a religião, como em Alexandria ou na chamada Idade das Trevas. Se o imperador Qin Shihuang não exterminasse o trabalho de Mo Tzu […]
[…] episódio começa com a Biblioteca de Alexandria. Com a sua destruição, o conhecimento humano sofreu um duro golpe. No entanto, a humanidade […]
[…] menos, que a política compromete o desenvolvimento da ciência. Não é só a religião, como em Alexandria ou na chamada Idade das Trevas. Se o imperador Qin Shihuang não exterminasse o trabalho de Mo Tzu […]