Anãs e sub-anãs

As estrelas sub-anãs foram assim designadas por G. Kuiper por ocuparem uma posição no diagrama de Hetzsprung-Russel abaixo das estrelas anãs da sequência principal. Por outras palavras, para um mesmo tipo espectral, uma estrela sub-anã é menos luminosa que uma estrela anã (uma diferença de 1,5 a 2 magnitudes). Outra forma de ver esta diferença, na verdade mais correcta, consiste em pensar que uma estrela sub-anã tem uma temperatura mais elevada do que uma anã com a mesma massa.

Estas estrelas são maioritariamente membros do halo galáctico, e portanto são estrelas de População II, as mais antigas da Via Láctea. De facto, só se conhecem sub-anãs de tipos espectrais G, K e M, uma vez que as sub-anãs mais maciças, com um tempo de vida mais curto, já desapareceram há muito. O tempo de vida das anãs observadas excede a idade estimada do Universo. Outra observação interessante consiste no facto de as estrelas anãs pertencerem quase exclusivamente à População I, constituída por estrelas mais recentes que frequentam o disco galáctico.

Mas, voltando à nossa constatação inicial, o que leva a esta diferença de temperaturas entre sub-anãs e anãs com massas comparáveis ? A resposta está na sua composição. As estrelas sub-anãs formaram-se numa época em que o gás da Via Láctea estava ainda pouco enriquecido com “metais”. Por outro lado, as estrelas anãs estão enriquecidas com os “metais” produzidos por várias gerações de estrelas.

O efeito dos “metais” no balanço energético de uma estrela é interessante. As estrelas vivem num equilíbrio precário, entre a pressão exercida pela radiação, libertada pela fusão nuclear, no plasma e, a gravidade que tenta comprimir a estrela radialmente (um equilíbrio a que se dá o nome de hidro-estático). Ora, um plasma rico em “metais” é mais opaco à radiação e essa opacidade é uma função muito sensível da concentração desses elementos.

A razão porque isto acontece é algo intuitiva. Todos os elementos químicos absorvem radiação em comprimentos de onda característicos, que dependem da configuração electrónica nos átomos ou iões do elemento. O hidrogénio e o hélio têm espectros muito simples e absorvem radiação num pequeno número de comprimentos de onda. Isto torna um plasma de hidrogénio e hélio particularmente transparente à radiação. Por outro lado, os “metais” tem espectros particularmente complicados e podem existir num plasma sob a forma de vários iões, todos eles com espectros diferentes. Assim, mesmo a presença de pequenas quantidades de “metais” num plasma introduz uma verdadeira floresta de linhas espectrais, armadilhas para os fotões provenientes do interior estelar, contribuindo fortemente para aumentar a sua opacidade e o efeito da pressão da radiação.

Finalmente, uma estrela sub-anã, apesar de ter a mesma massa que uma estrela anã e portanto sentir a mesma gravidade, irá ter mais dificuldades que a última em garantir o seu equilíbrio hidro-estático, uma vez que o seu plasma menos rico em “metais” é mais transparente à passagem da radiação. Por outras palavras, a pressão exercida pela radiação é menor. Por esse motivo, a gravidade consegue contrair mais a estrela tornando-a mais pequena e mais quente do que uma anã de massa equivalente.

Deixe um comentário

Your email address will not be published.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.