O misterioso filamento cósmico do Buraco Negro Supermassivo da Via Láctea

Imagem rádio do centro da nossa Galáxia, com um misterioso filamento curvado perto do buraco negro supermassivo Sagittarius A* (o brilho branco no parte inferior da imagem).
Créditos: NSF / VLA / UCLA / M. Morris et al.

A nossa galáxia é um belo laboratório para podermos entender os fenômenos que acontecem no universo.
O centro dela é melhor ainda, se o caso for tentar entender o comportamento de um buraco negro supermassivo, esses que habitam o centro da maioria das galáxias.

Mesmo sendo estudado por muitos e muitos anos, com os mais diferentes tipos de instrumentos, o centro da Via Láctea, ainda nos guarda surpresas.

Dessa vez, um grupo de astrônomos usando o VLA – um conjunto de antenas parecido com o ALMA mas que fica nos EUA – descobriu em 2016 um filamento incomum no centro da Via Láctea.
O filamento tem cerca de 2.3 anos-luz de comprimento e se curva ao redor do ponto onde deve estar o buraco negro supermassivo central da Via Láctea, o Sagittarius A*.

Agora, usando uma técnica pioneira de imageamento, um grupo de astrônomos fez a imagem mais detalhada desse filamento até agora.
Óbvio que na ciência nada é tão fácil assim. Embora a imagem seja de altíssima qualidade e seja possível seguir o filamento, ainda não se tem uma explicação definitiva para ele.

Créditos: NSF / VLA / UCLA / M. Morris et al.

Os astrônomos estão trabalhando com 3 possíveis explicações:

A primeira é que ele seja na verdade gerado por um conjunto de partículas de alta velocidade que são chutadas do buraco negro supermassivo.
Isso acontece pois um buraco negro como o nosso, em rotação, produz um campo magnético em torre e nessa torre magnética, digamos assim, as partículas são aceleradas.

A segunda e mais fantástica, é que o filamento seja uma corda cósmica (cosmic string).
Esses são objetos teóricos e não detectados que carregam massa e corrente elétrica.
As cosmic strings poderiam migrar para o centro da galáxia, se mover para perto do buraco negro e parte dela ser capturada cruzando o horizonte de eventos.

A terceira opção é que a posição e a direção do filamento alinhado com o buraco negro seja apenas uma coincidência e não existe uma associação real entre os dois.
No entanto, uma coincidência assim é difícil de acontecer.

Qualquer um dos cenários, se confirmado, traria importante entendimento sobre o comportamento do buraco negro e da própria galáxia.

Se o filamento é causado por partículas ejetadas do Sagittarius A* revelaria importantes informações sobre o campo magnético do buraco negro.
Se for uma cosmic string, seria a evidência de algo até então proposto só teoricamente, e que teria importantes consequências no entendimento da gravidade, do espaço-tempo e do universo como um todo.
Até mesmo se for só uma coincidência e não existir relação entre o buraco negro e o filamento, esse filamento seria um objeto bem incomum e teria que ser estudado com mais detalhe.

Esse mistério motiva muito os pesquisadores que trabalham nessa área, motiva a construção de novos e mais poderosos rádio telescópios e o desenvolvimento de novas técnicas de análise de dados.

Fontes: Phys.org, artigo científico

1 comentário

  1. Para compreender estes filamentos gigantes, devemos utilizar o aprendizado que obtemos analisando outros super-filamentos.

    1) Já foi constatado, que existe algo como filamentos magnéticos que ligam a Terra e o Sol, assim como outros planetas.
    2) Já foi observado filamentos, feitos predominantemente de gases que ligam galáxias.

    Portanto este filamento deve ter uma origem magnética também , ligando dois gigantescos astros, que um deles seria SagitariusA

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