Desinfetar epidemias

Anda a ser fortemente partilhado nas redes sociais um vídeo de pessoas a serem desinfetadas no passado (quando a televisão era a preto-e-branco), em que a mensagem sobre o vídeo é:

“Tá reclamando da vacina?
Veja como era em 1945, a aplicação de Detefon na epidemia de piolhos e chatos…”

Nos comentários, vêem-se muitas pessoas a dizer que o vídeo deve ser falso.
Outras dizem que é um vídeo de parte de um filme e que não corresponde à realidade.
Ainda outras pessoas duvidam da veracidade do vídeo devido a só se verem homens a serem desinfetados.

O vídeo é este:

Ora, depois de várias pessoas me perguntarem sobre a veracidade deste vídeo, resolvi pesquisar.

O vídeo é da empresa British Pathé, que tem um enorme arquivo de vídeos históricos.

Antigamente, estes vídeos eram apresentados no cinema. Não existia televisão, assim as pessoas deslocavam-se aos cinemas para verem um filme e para verem as notícias. As notícias eram apresentadas no formato destes pequenos vídeos. As notícias eram sobre acontecimentos mundiais: guerras, epidemias de saúde, visitas de chefes de estado, etc.

Assim, este vídeo é verdadeiro. Foi feito na cidade de Colónia, na Alemanha.

E não eram só mulheres a serem desinfetadas. Os homens também levavam com o tratamento.

Em 1945, existia uma epidemia de tifo na Alemanha.
Assim, as autoridades decidiram pulverizar as pessoas com o pesticida DDT, de modo a combater a disseminação da epidemia.

Atualmente, o tratamento é feito com a administração do antibiótico doxiciclina, que não existia na altura.

2 comentários

  1. Antigamente não havia conhecimento dos efeitos a longo prazo de certos medicamentos, era mais importante resolver a cura de rápida da epidemia, hoje as medidas sanitárias, vacinas e alguns remédios são exaustivamente estudados para ter certeza de não ter efeitos piores a longo prazo.
    (…comentário editado…)

    1. Como já foi dito dezenas de vezes: este é um local de ciência, feito por cientistas, e só possível graças a toda a ciência que permite que exista uma internet.

      Este não é o local para conspirações e defesa de vigarices anti-ciência.

      Daí este comentário, e um outro anterior, terem sido editados.

      Se quiser dar evidências do que diz, estamos sempre abertos a avaliar evidências objetivas, comprovadas por experiências duplamente cegas.
      Mas este não é o local para publicitar crenças baseadas em desejos pessoais.

      abraços

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