E-F@bulations é um “e-journal” (com revisores) publicado pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
É uma revista baseada na interdisciplinaridade no campo da literatura para crianças e jovens.
(e-f@bulations is a refereed international e-journal of scholarly research in the field of literature for childhood and youth)
Tem várias edições, que podem ver aqui.
A última edição é a nº 7, de Dezembro de 2010. Tem por tema: o firmamento.
Podem lê-la toda, aqui, ou por partes, aqui.
Gostei especialmente de:
- Citações de Astronomia na Literatura – de Maria Luísa Malato Borralho.
- Usar este tipo de histórias para desenvolver o pensamento crítico nas crianças e jovens – de Maria Ellison.
- Deus Cor-de-Rosa – de Filomena Vasconcelos.
Surpreendentemente, fui convidado para ser um dos autores da última edição.
Senti-me tentado, mas mentalmente recusei. E informei as pessoas que não sentia que era a minha área.
Para mim, as razões eram simples:
1 – Firmamento: foi-me dito que a nova edição era mais astronómica, tendo como tema o Firmamento. Ora, quando penso em Firmamento, penso em cosmologia. Eu não sou especialista em cosmologia, por isso não queria entrar em áreas em que não sabia a fundo.
2 – Crianças e Jovens: estou habituado a escrever para adultos. Nunca escrevi para crianças. Daí que não me sentia preparado para mudar radicalmente de “audiência”.
3 – Literatura: estou habituado a divulgar oralmente (palestrar, fazer actividades, dar aulas, etc) astronomia para adultos e crianças – há mais de 15 anos que o faço de diferentes formas. No entanto, faço-o como divulgador e educador/professor. Nunca divulguei histórias, na forma escrita, para crianças.
4 – Ficção Científica: estou habituado a escrever textos de divulgação (como faço aqui no blog), ou a escrever artigos científicos para serem publicados na literatura científica internacional. Ou seja, baseio-me na realidade. Tentando transmitir um “sense of wonder”, a maravilha da ciência, na divulgação, mas sempre com os pés assentes naquilo que é real e verdadeiro. Adoro ficção científica, mas nunca pensei em escrever nada do género porque sinceramente penso que não conseguiria compôr uma excelente história imaginativa.
Daí que me senti bastante reticente com este convite.
No entanto, as pessoas não desistiram de me tentar convencer, já que, tendo em conta o que eu já escrevo, até teria boas ideias para “colocar no papel” e criar histórias giras.
Além disso, como o próprio tema da edição preconiza, e a gravura de Flammarion ilustra, o objectivo seria ver mais além, fazer algo mais, sair da chamada “comfort zone” – zona confortável em que todos preferimos nos encontrar, em vez de fazer algo completamente diferente e inesperado.
Daí que aceitei sair da minha “comfort zone”…
Escrevi um texto (6 páginas na revista), em que realço a subjectividade do Firmamento.
Decidi-me por 4 short-stories (pequenas histórias) todas encadeadas, em que seres diferentes vêem o seu firmamento de forma diferente, apesar de que, na prática, todos fazem parte do mesmo Universo – todos estão interligados, mesmo que esses seres não o compreendam.
Pessoalmente, não me parece um “trabalho brilhante”, no sentido de muito original, porque fui tirando ideias daquilo que vou lendo ao longo dos anos. Neste caso, por exemplo, de Matrioshkas e filmes MIB.
Ou seja, escrevi um texto sobre a subjectividade do firmamento, com extraterrestres, tendo por base ideias que defendo, e que vou vendo/lendo na ficção científica.
Provavelmente porque por vezes não temos noção (neste caso, eu) da qualidade do nosso trabalho (por vezes achamos normal, algo que para outras pessoas é acima da média), fiquei agradavelmente surpreendido com a reacção da pessoa que avaliou a minha história.
Não só adorou a história, como até me pediu para a duplicar nas duas línguas (português e inglês).
Podem ler a história que escrevi, em português, clicando aqui.
Podem ler a história que escrevi, em inglês, clicando aqui.
Fazendo agora uma análise final, gostei da história (que inclui 4 pequenas histórias), e gostei de a(s) escrever.
Mas obviamente, o teste final são vocês, os leitores.
O que pensam da minha história? ![]()
(agradece-se o feedback construtivo)








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